PEIXE — A Justiça do Tocantins marcou para 22 de setembro a audiência de instrução do processo contra Déborah de Oliveira Ribeiro e Roberta de Oliveira Ribeiro, acusadas de feminicídio contra a própria mãe, Deise Carmem de Oliveira Ribeiro. O crime ocorreu em dezembro de 2025, em uma área rural próxima à Vila Quixaba, no município de Peixe.
A audiência poderá levar a uma decisão da Justiça sobre o caso. O Ministério Público do Tocantins informou que apresentou, em abril, ação penal contra quatro familiares da vítima. Além das duas filhas, respondem ao processo o marido de Deise e o genro, Mateus Viana de Oliveira, namorado de Déborah. Os dois homens e Mateus respondem em liberdade.
Investigação e disputa patrimonial
De acordo com a acusação, o assassinato teria sido planejado por causa de disputas patrimoniais envolvendo o controle de uma fábrica da família e para impedir que Deise concluísse o processo de divórcio do marido.
O delegado João Paulo Sousa Ribeiro afirmou que as filhas dependiam da mãe para manter determinado padrão de vida e a consideravam um obstáculo. Segundo ele, a morte permitiria que elas tivessem controle sobre a empresa. O delegado também relatou que um conflito envolveu um cartão entregue pelo pai a uma das filhas, sem concordância de Deise.
A empresária foi levada para a área rural, morta a facadas e teve o corpo lançado no Rio Santa Tereza. Ela foi dada como desaparecida, e o corpo foi encontrado boiando no rio em 1º de janeiro de 2026.
Antes do crime, as filhas teriam comprado um celular registrado no nome da mãe. Conforme a investigação, o aparelho foi usado para enviar mensagens a parentes como se fossem de Deise, com o objetivo de criar a impressão de que ela havia deixado o local por vontade própria.
Embora uma das filhas tenha atribuído a responsabilidade exclusivamente à outra, a Polícia Civil afirmou que dados de torres de telefonia e conexões de internet indicam que as duas estavam na cena do crime.
José Roberto Ribeiro, marido de Deise e pai das suspeitas, foi indiciado por atrapalhar as investigações e eliminar registros. A polícia disse não haver indícios de participação dele no assassinato. Segundo os autos, ele teria apagado mensagens e escondido o veículo usado no transporte do corpo. José foi solto em abril e responde em liberdade.



