NITERÓI — A família de Danilo Jander Francisco Alves autorizou a doação dos órgãos do motociclista, que teve morte cerebral após ser baleado na cabeça durante uma abordagem policial. Ele morreu na terça-feira (15), depois de ser atingido na Rua Mariz e Barros, em Icaraí, no sábado (12).
A decisão emocionou os familiares e foi aplaudida por funcionários do Hospital Azevedo Lima, em Niterói. Débora Maciel Francisco, mãe de Danilo, afirmou que o filho dizia querer ajudar outras pessoas caso morresse: "mãe, eu sempre vou ajudar as pessoas. Se um dia eu morrer, você doa meus órgãos, por favor."
O policial responsável pelo disparo foi preso em flagrante e levado para a Unidade prisional da Corporação, segundo a Assessoria de Imprensa do Segurança Presente. A Corregedoria acompanha o caso.
Versões sobre a abordagem
Em depoimento, um dos policiais disse que fazia patrulhamento com um colega quando viu Danilo em uma motocicleta. Segundo o agente, o motociclista passou pelo sinal vermelho, estava em alta velocidade e empinou a moto. Os policiais o seguiram, mas o trânsito fez com que ele parasse. Um dos agentes afirmou ter usado spray de pimenta.
Ainda de acordo com o depoimento, Danilo levou a mão à cintura. O policial disse que sacou a arma e que o disparo ocorreu quando desembarcava da motocicleta, atingindo o motociclista na cabeça de forma involuntária.
Uma testemunha apresentou versão diferente. Ela afirmou que os policiais cercaram a moto, que Danilo parou e levantou as mãos. Segundo o relato, um agente usou spray de pimenta e, quase imediatamente, o outro disparou. A testemunha disse não ter percebido atitude suspeita do motociclista antes da abordagem.
Pessoas que estavam no local afirmaram que Danilo trabalhava como entregador de aplicativo. Após o tiro, os policiais revistaram o motociclista e, conforme o depoimento de um dos agentes, nenhum objeto ilícito foi encontrado.
A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí informou que ouviu testemunhas e analisou imagens de câmeras de segurança. As investigações continuam para apurar os fatos.



