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Exposição em Frankfurt reúne dez visões sobre Maria Madalena

Mostra no Museu Städel apresenta obras que refletem a associação da personagem ao pecado, à devoção, ao amor e à autonomia.

Exposição em Frankfurt reúne dez visões sobre Maria Madalena
Foto: Nieves González/Coleção particular

Uma exposição no Museu Städel reúne dez obras que apresentam diferentes interpretações de Maria Madalena, personagem associada ao testemunho da ressurreição de Cristo e à divulgação da notícia. A mostra também examina como a arte construiu imagens sobre mulheres ao longo do tempo.

Intitulada Maria Madalena. Pecado. Oração. Amor, a exposição parte da ideia de que a personagem bíblica foi combinada, na tradição histórica, com outras figuras. O historiador da arte Bastian Eclercy, um dos curadores, resume essa leitura em três representações: a pecadora anônima, Maria da Betânia e a Maria Madalena mencionada nos relatos bíblicos.

Entre a Bíblia e a tradição artística

A Bíblia apresenta poucas referências a Maria Madalena. Com o passar do tempo, seu nome foi relacionado à mulher não identificada que ungiu os pés de Jesus, a uma adúltera e a Maria de Betânia, irmã de Marta e Lázaro. A historiadora da arte Siobhan Jolley chama essa sobreposição de “confusão de Marias”.

A associação com o pecado sexual ganhou força na tradição ocidental, embora não exista nas escrituras uma indicação direta sobre qual teria sido a transgressão da mulher pecadora. Jolley afirma que não há base nos documentos bíblicos para definir Maria Madalena como profissional do sexo.

Em A Elevação de Santa Maria Madalena, de Albrecht Dürer, datada de c. 1504-05, a personagem aparece nua, levada aos céus por seis anjos. A xilogravura se inspira na Legenda Áurea, texto do século 13 atribuído a Jacobus de Voragine, que inclui a história de uma Maria retirada para o sul da França em busca de solidão.

Já em Maria Madalena no Sepulcro, de Giovanni Girolamo Savoldo, de c. 1535-40, a identificação depende de elementos como o vaso no canto esquerdo e o vestido vermelho sob o manto prateado. Para Jolley, o jarro de alabastro relaciona a imagem à mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus.

Pecado, penitência e luto

A obra Jesus Aparece a Maria Madalena, de Lavinia Fontana, de 1581, está entre as primeiras representações da santa feitas por uma artista mulher. A pintura retoma a passagem em que Maria confunde Jesus com um jardineiro, retratado com roupas de trabalhador italiano do século 16.

Em Marta Repreende sua Vaidosa Irmã Maria Madalena, de Simon Vouet, de 1621, a personagem aparece em uma cena que não está na Bíblia. Ela está em um toucador e recebe uma repreensão de Marta por sua vaidade.

A penitência aparece em Madalena Penitente, de Guido Cagnacci, de 1626-27. A personagem segura uma caveira, símbolo usado na história da arte para lembrar a brevidade da vida e a preparação da alma para encontrar Deus. Segundo Eclercy, ela se tornou um modelo para penitentes de ambos os sexos.

Em Madalena Penitente em Meditação, de Georges de La Tour, de 1635-40, espelhos, velas e outras imagens representam o tempo, a mortalidade e a autorreflexão. A interpretação evita transformar a personagem em uma figura apenas erótica ou decorativa.

A Dor de Madalena sobre o Corpo de Cristo, de Arnold Böcklin, de 1867, mostra Madalena ao lado do corpo de Jesus. A personagem expressa intensamente o luto. Para Eclercy, ela assume, nessa composição, o papel tradicionalmente associado à Virgem Maria.

Novas imagens para a personagem

Em Cristo e a Pecadora, de Max Beckmann, de 1917, a cena se relaciona à passagem em que Jesus impede uma multidão de apedrejar uma mulher não identificada. Essa mulher também foi associada a Maria Madalena ao longo do tempo. A pintura oferece uma interpretação mais tolerante do episódio.

A artista sul-africana Marlene Dumas representa a personagem como a supermodelo Naomi Campbell em uma obra de 1996. A escolha aborda celebridade, reputação e os padrões de beleza associados à imagem ocidental de Madalena, frequentemente retratada como uma mulher jovem e branca.

A obra mais recente da exposição é O Desafio, de Nieves González, de 2025. A artista preserva elementos tradicionais, como o cabelo loiro avermelhado, as roupas vermelhas e a caveira, mas veste a personagem com um casaco estofado maior que seu corpo. A composição apresenta uma mulher autoconfiante, ligada à ideia de domínio e autonomia.

A exposição está em cartaz no Museu Städel, em Frankfurt, na Alemanha, de 17 de setembro de 2026 a 17 de janeiro de 2027.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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