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Geleiras perderam 1.400 gigatoneladas de água entre 2023 e 2025, diz OMM

Relatório aponta queda persistente das reservas continentais e alerta para riscos de secas e inundações associados ao El Niño.

Geleiras perderam 1.400 gigatoneladas de água entre 2023 e 2025, diz OMM
Foto: Folhapress

As geleiras do mundo perderam cerca de 1.400 gigatoneladas de água entre 2023 e 2025, segundo o relatório Estado Global dos Recursos Hídricos, da Organização Meteorológica Mundial (OMM). O volume corresponde ao necessário para encher aproximadamente 560 milhões de piscinas olímpicas ou a cerca de um terço da retirada anual de água doce no mundo.

A perda de gelo ocorreu pelo quarto período consecutivo em todas as regiões monitoradas. A OMM afirmou que a continuidade desse processo pode ampliar a insegurança hídrica nas próximas décadas. A organização também identificou uma redução persistente do armazenamento de água nos continentes desde o período entre 2014 e 2016.

Reservas subterrâneas sob pressão

O relatório mostra que quase dois terços dos poços monitorados apresentaram, em 2025, níveis de água abaixo da média de longo prazo. A Europa Central e Oriental esteve entre as áreas mais afetadas, com déficits expressivos em relação à média observada entre 2014 e 2024. Já grande parte dos aquíferos do norte da Europa registrou níveis acima da média histórica.

O armazenamento continental inclui aquíferos, lagos, solos, vegetação, neve e gelo. De acordo com a OMM, a redução dessas reservas de longo prazo preocupa porque águas subterrâneas e geleiras historicamente ajudavam a impedir que uma estação seca evoluísse rapidamente para uma crise hídrica.

“Estamos consumindo nossas reservas”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo. O diretor da divisão de Hidrologia e Criosfera da organização, Wayne Jenkinson, relacionou as mudanças observadas às alterações climáticas provocadas pela atividade humana, ao aumento da demanda por água associado ao crescimento da população mundial e à variabilidade natural do clima.

Vazões abaixo da média

Os rios do planeta também registraram níveis reduzidos. 2025 esteve entre os anos mais secos para os rios globais nos últimos 35 anos, e o volume de água transportado ficou entre os três menores do período. Mais de um terço das bacias hidrográficas apresentou vazões inferiores à média histórica.

Pelo sétimo ano consecutivo, as bacias em condições normais foram minoria. Apenas 36% ficaram dentro da média histórica; outros 36% registraram níveis abaixo do normal e 21% ficaram acima da média. Em algumas áreas, porém, houve excesso de água, especialmente em partes do sul da Ásia.

A combinação de escassez em certas regiões e excesso em outras é descrita pela OMM como sinal de um ciclo hidrológico mais irregular e difícil de prever. Chuvas, vazão dos rios e umidade do solo respondem rapidamente às condições meteorológicas, enquanto geleiras e águas subterrâneas funcionam como reservas de longo prazo.

El Niño pode ampliar extremos

A OMM alertou que o atual episódio de El Niño pode intensificar a alternância entre secas e inundações. O fenômeno é a fase quente de um ciclo climático natural que ocorre de dois a sete anos e envolve temperaturas acima da média na superfície do oceano Pacífico, com efeitos sobre ventos e padrões de chuva em diferentes regiões.

Segundo Celeste Saulo, o episódio deve ser o mais intenso desde o início das séries comparáveis de registros, há cerca de quatro décadas. “O fortalecimento do El Niño aumentará o risco de seca em algumas regiões e de inundações em outras”, disse.

A organização também defendeu a ampliação da coleta, da padronização e do compartilhamento de dados, além de sistemas de alerta precoce. A OMM afirmou que ainda existem lacunas significativas de monitoramento em regiões afetadas. A água que abastece uma bacia pode vir de outro país, e desastres relacionados a geleiras podem atingir territórios distintos, como China e Nepal.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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