PINHEIRO — Jemerson Felipe Rodrigues Pereira, de 28 anos, morreu na madrugada de sexta-feira (11), em Pinheiro, após aguardar uma transferência hospitalar para São Luís. Segundo a família, ele apresentou alterações nos pulmões e sinais de aumento do coração antes de ter o quadro agravado.
Jemerson começou a ter tosse e falta de ar poucos dias antes da internação. Ele foi levado ao Hospital Municipal Lídia Martins, em Bequimão, com tosse intensa, cansaço e dificuldade para respirar. A família afirma que o jovem não tinha doenças crônicas, mas já havia procurado atendimento por sintomas semelhantes menos de um mês antes e tinha histórico de pneumonia.
No hospital, foram solicitados exames de sangue, e Jemerson permaneceu internado para acompanhamento. Segundo os familiares, 17 exames foram pedidos para a manhã. Eles também apresentaram um raio-X feito anteriormente, porque o equipamento da unidade para realizar um novo exame não funcionava naquele momento.
De acordo com a prima Andressa Luanna, o exame indicava alterações nos pulmões. O médico também teria percebido que o coração aparentava estar aumentado e pediu um eletrocardiograma. A família afirma que o exame, solicitado pela manhã, só foi realizado por volta das 14h. Depois do resultado, o médico pediu a transferência urgente para São Luís.
Espera no transporte
A família relata que havia apenas uma ambulância disponível e que o veículo estava em São Luís. Jemerson saiu de Bequimão por volta das 17h50 e chegou ao Terminal do Cujupe aproximadamente às 18h20. A expectativa era embarcar em um ferryboat previsto para sair às 18h50, mas a travessia não ocorreu naquele horário.
A ambulância permaneceu no terminal até aproximadamente 20h30. Durante a espera, segundo a prima, Jemerson piorou e teve uma queda rápida na saturação de oxigênio. O veículo retornou a Bequimão, onde o jovem recebeu nova medicação e teve os cilindros de oxigênio substituídos.
Depois, Jemerson foi encaminhado ao Hospital Regional Dr. Antenor Abreu, em Pinheiro. Ele chegou por volta das 23h, em estado grave, e a família foi informada de que seria necessária uma intubação. Andressa afirma que o jovem sofreu cinco paradas cardíacas.
A possibilidade de uma transferência aérea para São Luís também teria sido discutida, mas a equipe médica informou, segundo a família, que o estado de saúde dele não permitia o deslocamento. Jemerson morreu na madrugada de sexta-feira (11).
Apuração anunciada
O governador do Maranhão, Carlos Brandão, afirmou que o governo vai apurar as circunstâncias da morte. Uma reunião foi marcada para domingo (13) com prefeitos da Baixada Maranhense, empresas responsáveis pelo serviço de ferryboat e secretarias estaduais.
Entre as medidas anunciadas estão o aperfeiçoamento da comunicação entre terminais e hospitais e a cobrança pelo cumprimento dos horários e da programação das viagens. Brandão também informou que os ferries São Miguel e São Rafael serão incorporados ao serviço.
A Secretaria de Estado de Governo (Segov) informou que apura o atraso das embarcações e que adotará medidas emergenciais. A pasta disse que reforçará a fiscalização dos horários, melhorará a comunicação entre terminais e hospitais e ressaltou que ambulâncias têm prioridade de embarque nos ferryboats, conforme a Portaria nº 83, publicada no Diário Oficial do Estado.
O corpo de Jemerson é velado na casa dos pais, no interior do Maranhão. A Segov informou ainda que se reunirá neste domingo (13) com o governador, prefeitos, empresas e secretarias que operam o serviço de ferryboat para discutir o sistema aquaviário e a chegada dos ferries São Miguel e São Rafael no segundo semestre de 2026.



