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Metano ganha urgência diante do risco de aquecimento acima de 1,5°C

Corte do gás, responsável por um terço do aumento da temperatura global, pode reduzir o aquecimento em poucas décadas.

Metano ganha urgência diante do risco de aquecimento acima de 1,5°C
Foto: Reuters

O corte das emissões de metano deixou de ser apenas uma forma rápida de enfrentar a mudança climática e passou a ser considerado necessário diante do risco de o planeta superar os limites previstos no Acordo de Paris. Em agosto, o aquecimento global chegou a 1,65°C, depois de alcançar 1,15°C em 2021.

O termo overshoot descreve o período em que a temperatura média fica acima de 1,5°C. Com as metas atuais dos países signatários, a projeção é de um aquecimento de 1,8°C até o fim do século. Considerando o nível atual de emissões, o aumento poderia chegar a 2,8°C.

Carlos Nobre afirma que a passagem de 2°C pode levar a pontos de não retorno, entre eles a Amazônia. No Brasil, uma das consequências apontadas é a transformação do bioma em uma formação semelhante à savana. O último relatório do Pnuma também alerta que a redução posterior da temperatura não recuperaria os danos em florestas tropicais, recifes de corais, montanhas polares e outros sistemas vulneráveis.

Por que o metano é prioridade

O metano, identificado pela fórmula CH₄, responde por um terço do aumento global da temperatura. Ele é um poluente climático de vida curta e tem comportamento diferente do dióxido de carbono (CO₂), responsável por metade do aquecimento.

Henrique Bezerra, diretor para a América Latina da Global Methane Hub, afirma que uma molécula de metano aquece 86 vezes mais do que uma molécula de CO₂ em 20 anos. Como o gás permanece 12 anos na atmosfera, essa diferença cai para 26 ou 29 vezes na métrica de 100 anos.

O metano se transforma em dióxido de carbono e outros gases tóxicos. Por isso, a redução de suas emissões teria efeito em poucas décadas. Para Nobre, eliminar as emissões até 2040 permitiria que o aquecimento voltasse a 1,5°C em algum momento.

Cerca de 60% das emissões atuais de metano são causadas pela atividade humana. Desse total, 40% vem da agropecuária, 35% da produção, do transporte e do consumo de combustíveis fósseis, e 20% do manejo de resíduos orgânicos. Segundo estudos citados por especialistas, as medidas de redução são mais baratas que as voltadas ao dióxido de carbono e produzem efeitos rápidos.

Petróleo, resíduos e pecuária

A Agência Internacional de Energia estima que 75% das emissões de metano da indústria petrolífera podem ser reduzidas a custo negativo, o que significa geração de lucro para as empresas. As soluções incluem melhorias ou interrupções de processos poluentes, prevenção de vazamentos e reaproveitamento do gás.

No Brasil, uma regulamentação sobre o tema está em consulta pública e pode ser publicada até o fim deste ano. No setor de resíduos, metade do material levado aos aterros sanitários é orgânico e poderia ser destinado à compostagem. Florianópolis é citada como a cidade com a maior taxa de compostagem da América Latina. Também existem aterros que capturam metano para produzir biogás, produto incluído na Lei do Combustível do Futuro.

Os resíduos representam 16% das emissões brasileiras de metano. A pecuária responde por 76%. Uma das estratégias mencionadas para reduzir esse volume é aumentar a produtividade e diminuir o tempo de criação dos animais.

Bezerra cita uma exigência sanitária da China para a carne brasileira exportada: os animais não poderiam ter mais de 30 meses. Com menos tempo no pasto, o gado produziria menos metano pela fermentação entérica.

A pecuária regenerativa, que combina criação mais rápida e ganhos ambientais nas propriedades, também é apontada por Nobre. O tema será discutido a partir deste domingo (20), durante a Semana do Clima, em Nova York, paralelamente à Assembleia Geral da ONU.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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