SÃO PAULO — O ex-vereador Milton Leite (União Brasil) negou ter ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e afirmou que vai se apresentar à polícia em até 24 horas. Ele é alvo de um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça e não foi localizado nos endereços ligados a ele.
A operação foi realizada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público contra suspeitos de envolvimento com a facção. Leite disse que está fora de São Paulo e negou estar foragido. “Vou me entregar em 24 horas. Estou me organizando com meus advogados”, afirmou.
A decisão que autorizou a operação, assinada pelo desembargador Sérgio Ribas, aponta que o ex-vereador seria o “dono de fato” da Transwolff, empresa acusada de lavar dinheiro para o PCC. A companhia nega a acusação. Leite também rejeitou ser proprietário da empresa e afirmou que sua relação com o setor de transportes foi institucional, incluindo a negociação de uma greve em 2019, a pedido do então prefeito Bruno Covas.
As investigações apuram suspeitas de que empresas responsáveis pelo transporte coletivo em municípios paulistas passaram a ser administradas por integrantes da facção depois de vencerem licitações. Também há suspeitas de corrupção de funcionários públicos.
Citações na investigação
O nome de Leite já havia aparecido em um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar sobre supostas conexões com policiais militares presos por atuar na escolta particular de dirigentes da Transwolff. Os depoimentos foram citados na decisão judicial que fundamentou o pedido de prisão.
Em fevereiro, o sargento da Polícia Militar Nereu Aparecido Alves chamou Leite de “chefe” em uma mensagem enviada a Cícero de Oliveira, diretor da empresa.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou, em nota, que a intervenção na Transwolff, determinada em abril de 2024, buscou proteger o sistema municipal de transporte. A prefeitura disse que encerrou o contrato e que colabora com o Ministério Público, fornecendo documentos e esclarecimentos.
Milton Leite foi vereador por sete mandatos, de 1997 a 2024, e presidiu a Câmara Municipal de São Paulo por seis anos. Atualmente, participa da campanha dos filhos Alexandre Leite, candidato a deputado estadual, e Milton Leite Filho, candidato a deputado federal. Alexandre deixou o cargo de secretário de Relações Institucionais da gestão Ricardo Nunes para disputar a eleição de outubro.
Em novembro de 2025, Leite convocou parlamentares para defender que o afilhado Silvão Leite (União) assumisse a presidência da Câmara. Em dezembro, Ricardo Teixeira (União) foi reeleito para o cargo.
Em junho de 2025, a Assembleia Legislativa de São Paulo concedeu a Leite o Colar de Honra ao Mérito Legislativo. A honraria foi entregue em reconhecimento a sua atuação em pautas como preservação de mananciais, desenvolvimento urbano e habitação, com foco em regiões da periferia paulistana, sobretudo na zona sul.



