Os credores da Braskem resistem à proposta de reestruturação da dívida de US$ 11 bilhões (R$ 56,53 bilhões) e exigem que os acionistas assumam um compromisso executável de aporte de capital. Sem esse compromisso, parte deles afirma que não haverá acordo, segundo pessoas a par das negociações.
A Petrobras e o IG4 Capital Group, controladores da petroquímica, suavizaram a linguagem sobre um possível aporte. A Petrobras participa cada vez mais das conversas e quer evitar um pedido de recuperação judicial, mas ainda não teria demonstrado disposição para oferecer as garantias buscadas pelos credores.
A proposta mais recente foi apresentada no final de agosto. Ela prevê que os credores forneçam cerca de US$ 2 bilhões (R$ 10,28 bilhões) em recursos novos. Desse total, aproximadamente US$ 1,25 bilhão (R$ 7,71 bilhões) seria usado em um leilão para recompra de dívida por até 50% do valor de face. Os US$ 750 milhões (R$ 3,86 bilhões) restantes seriam destinados ao capital de giro.
Negociação pode avançar para recuperação judicial
A estrutura representa uma mudança em relação às conversas iniciais, que não incluíam redução do valor da dívida. A distância entre as partes levou alguns credores a considerar a possibilidade de não apresentar uma contraproposta. Com isso, voltou a ganhar espaço a hipótese de a Braskem pedir recuperação judicial.
As partes têm até 9 de outubro para definir os termos básicos da negociação. A empresa terá até o final de novembro para apresentar um plano definitivo, apoiado por mais da metade dos credores, e evitar a recuperação judicial.
A Braskem entrou com uma medida cautelar em junho para obter tempo e buscar adesão suficiente a um processo extrajudicial. Em agosto, passou a reestruturar suas dívidas depois de atrasar o cumprimento de obrigações. Cerca de US$ 7 bilhões do montante incluído no processo de recuperação extrajudicial são devidos a detentores de títulos globais.
Documentos preveem a injeção de novo capital acionário após um chamado Período de Alívio, durante o qual a empresa buscaria reorganizar suas operações e atender às necessidades de capital e liquidez. Uma das possibilidades seria uma oferta pública de ações sem direito a voto.
Os títulos da Braskem denominados em dólares e com vencimento em 2030 tiveram rendimentos de cerca de 26%. A Braskem e o IG4 não comentaram. A Petrobras não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.



