SÃO PAULO — O iFood prevê investir R$ 24 bilhões no mercado brasileiro até março de 2027. O valor é 41% superior aos R$ 17 bilhões aplicados até março deste ano. O anúncio será apresentado nesta quarta-feira (16), durante o evento iFood Move, na zona sul de São Paulo.
A estratégia inclui investimentos além do delivery de comida. Estão no plano inteligência artificial, serviços financeiros, benefícios, supermercados, farmácias, pet shops, presentes e a modalidade turbo, com entregas em até 20 minutos.
Tecnologia e serviços financeiros
A inteligência artificial receberá R$ 2 bilhões, destinados ao treinamento de modelos e ao desenvolvimento de produtos. A companhia trabalha no LCM (Large Commerce Model), criado com dados próprios, e prepara um assistente para restaurantes. A ferramenta deverá permitir que os estabelecimentos administrem suas operações por meio de conversas, utilizando informações do próprio negócio.
O iFood Pago, braço financeiro da empresa, terá aportes de R$ 5 bilhões. Diego Barreto, CEO do iFood, afirma que a operação deve crescer 70% neste ano, principalmente pela oferta de crédito a restaurantes. A empresa também testa e amplia linhas para pessoas físicas.
O iFood Benefícios receberá R$ 10 bilhões nos próximos 12 meses. O serviço tem avançado 100% ao ano. Já o iFood Pago soma 15 milhões de assinantes.
Barreto diz que o ambiente econômico traz desafios, mas que a empresa mantém a aposta em inovação. “A inadimplência está alta, a inflação está alta, a taxa de juros está alta, e isso é um desafio”, afirmou.
Expansão para outras categorias
A companhia projeta crescimento de mais de 60% em supermercados e superior a 70% em farmácias. Para pet shops, bebidas, conveniência e presentes, a expectativa é de expansão acima de 100%.
Na área de presentes, o aplicativo deverá ampliar a oferta de perfumes, maquiagem, itens de cuidados pessoais, brinquedos, carregadores e capas de celular. Também está prevista a integração dos serviços da CRM Bônus, com recursos como cashback, bônus e giftbacks.
Entre os restaurantes, o iFood pretende acelerar duas operações. O hits, focado em refeições do dia a dia com preços menores e sem taxa de entrega, deverá chegar a cidades médias. O turbo, que entrega em até 20 minutos, será levado a todas as capitais e também atenderá farmácias, mercados e pet shops.
A plataforma completa 15 anos de operação e conecta cerca de 65 milhões de consumidores, 500 mil estabelecimentos em 2.800 cidades e 600 mil entregadores. O volume mensal já passa de 180 milhões de pedidos.
Impacto econômico e entregadores
Uma pesquisa da Fipe (Fundação de Pesquisas Econômicas) aponta que a cadeia do iFood movimentou R$ 167 bilhões na economia brasileira em 2025, equivalente a 0,70% do PIB (Produto Interno Bruto). O valor cresceu 19% em relação a 2024 e acumula alta de 175% desde 2020.
O estudo também estima 1,18 milhão de postos de trabalho diretos e indiretos ligados à plataforma, número superior a 1% da população ocupada no país.
Com a expansão dos negócios, o iFood afirma que a renda dos entregadores deverá crescer 20%. Barreto defende a regulamentação do trabalho por aplicativos e diz que as regras deveriam prever remuneração mínima vinculada ao salário mínimo, hoje em R$ 1.621, além de ressarcimento de despesas, seguro e contribuição à Previdência Social.
O executivo afirma que a empresa apoia a regulamentação desde 2021 e já oferece seguro e telemedicina aos entregadores. A companhia também testa financiamento para casa própria. Segundo Barreto, a renda média dos entregadores está próxima de 200% do valor-hora do salário mínimo brasileiro.
A categoria reivindica, entre outros pontos, uma taxa mínima de R$ 10 por entrega. No programa Mais Entregas, os pagamentos variam de R$ 3 a R$ 3,50 por entrega, enquanto a modalidade Nuvem paga R$ 7 a R$ 7,50. O iFood afirma que o primeiro modelo pode resultar em ganhos maiores por hora.
Concorrência chinesa
Barreto afirma que a entrada de novas empresas é positiva, mas diz que o iFood acionou uma concorrente por suspeita de espionagem. Parte do processo tramita no Brasil e parte, nos Estados Unidos.
A acusação envolve a tentativa de obter informações sigilosas por meio de entrevistas remuneradas e contatos com funcionários. De acordo com o executivo, uma quebra de sigilo determinada nos Estados Unidos permitiu identificar empresas ligadas às abordagens. O caso também é investigado pela polícia em São Paulo.



