China e Estados Unidos rejeitaram previsões consideradas exageradas sobre os riscos da inteligência artificial. Os dois países disseram que o alarmismo pode atrapalhar a formulação de políticas públicas, enquanto a Organização das Nações Unidas pediu medidas urgentes para regulamentar os sistemas mais avançados.
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou nesta segunda-feira (14) que a inteligência artificial é “uma força para o bem”. O porta-voz Guo Jiakun disse que narrativas de ameaça e disputas entre países prejudicam a governança global da tecnologia.
A posição do ministério contrasta com um alerta do Ministério da Segurança do Estado chinês. Chen Yixin afirmou que ferramentas generativas, como áudios e vídeos deepfake, textos e imagens produzidos por IA e grupos automatizados de trolls, podem ser usadas para espalhar rumores políticos e estimular divisões sociais.
O órgão não afirmou que a inteligência artificial levaria à extinção da humanidade nem pediu que empresas chinesas reduzissem o ritmo de desenvolvimento. Nos Estados Unidos, Donald Trump disse no domingo (13) que “forças negativas” fazem previsões sobre acontecimentos que, segundo ele, não ocorrerão.
Pressão por controle e desaceleração
O debate ganhou força depois que Dario Amodei, diretor-presidente da Anthropic, publicou no sábado (12) uma carta defendendo a desaceleração do desenvolvimento da tecnologia. Ele citou uma invasão contra a Hugging Face e o risco de que modelos atuais consigam criar gerações seguintes de ferramentas de IA.
Amodei chamou esse processo de autoaperfeiçoamento recursivo e afirmou que ele poderia avançar mais rápido do que a capacidade humana de compreender e controlar os sistemas. Sam Altman, Elon Musk, Satya Nadella e Demis Hassabis apoiaram a ideia de maior coordenação entre empresas e governos.
A União Europeia defendeu que as empresas comprovem a segurança de seus serviços, sem abandonar a inovação. No Reino Unido, o rei Charles 3º deve se reunir nesta semana com representantes de Nvidia, Google, DeepMind, OpenAI e Anthropic, além de autoridades, para discutir o desenvolvimento e o uso da IA.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu “ação urgente” para regulamentar a tecnologia. Ele afirmou que os sistemas mais avançados representam riscos sem precedentes e que os direitos humanos, incluindo o direito à vida, estão ameaçados.
Ações de tecnologia recuam
As ações de empresas ligadas à tecnologia caíram em diferentes mercados nesta segunda-feira (14), após pedidos de desaceleração e alertas sobre segurança. A Kioxia recuou 9,8% no Japão, enquanto a Tokyo Electron caiu 3,7%. A TSMC perdeu 1,2% em Taiwan; a SK Hynix, 5,3%, e a Samsung, 3,7%, na Coreia do Sul.
Em Xangai, a CXMT chegou a cair 3,6% e a SMIC recuou 2,6%. Em Hong Kong, a Zhongji Innolight perdeu 6,7% em determinado momento, enquanto a Minimax caiu até 7,8%. A Z.ai chegou a recuar 10,5%.
Sandisk, Intel e Micron caíram mais de 5% no pré-mercado. A Nvidia recuou 2,4%, e as ações da SpaceX perderam 2,2% antes da abertura da Bolsa de Nova York. A SoftBank, que detém cerca de 13% da OpenAI, despencou 10,7%.
Emmanuel Cau, do Barclays, afirmou que os investidores avaliam se uma maior segurança da IA reduziria os gastos de capital e afetaria o crescimento e os lucros das empresas. A OpenAI anunciou o adiamento da IPO prevista para este ano, enquanto a Anthropic pode adotar decisão semelhante.



