Fernando Haddad, candidato do PT ao Governo de São Paulo, afirmou nesta segunda-feira (14) que nunca teve contato com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Durante sabatina na TV Globo, ele voltou a relacionar o empresário ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu adversário na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
Haddad foi questionado sobre o caso Master e a crise do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele disse que Vorcaro financiou as campanhas de Tarcísio e do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, mas não a sua.
“Eu nunca recebi o Daniel Vorcaro na minha vida, nunca estive com ele no mesmo ambiente, nunca recebi mensagem nem telefonema dele, nunca o procurei”, afirmou Haddad. O candidato também disse que sua equipe já considerava o empresário um problema grave, embora não soubesse a dimensão da situação.
Segundo Haddad, Vorcaro mantinha negócios com três ex-ministros de Bolsonaro e sua trajetória estava ligada ao Banco Central durante a gestão de Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro. O candidato repetiu ainda a avaliação de Lula de que o governo federal cumpriu seu papel ao retirar Vorcaro de circulação.
Doações e investigação
Em uma delação premiada rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, Vorcaro afirmou que as doações feitas a Tarcísio e Bolsonaro em 2022 — de R$ 3 milhões e R$ 2 milhões, respectivamente — eram propina articulada com Gilberto Kassab, então secretário de Governo de Tarcísio. Os repasses foram registrados em nome de Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro, e estariam ligados à manutenção do Credcesta, cartão de consignado associado ao Master.
Tarcísio afirmou que nunca teve contato ou relação com Vorcaro e disse desconhecer os fatos mencionados. Kassab classificou o relato como fantasioso e o rejeitou.
Na sabatina, Haddad defendeu a quebra de todos os sigilos relacionados às investigações. Nesta segunda-feira, o ministro André Mendonça, do STF, retirou o sigilo de dados sobre pagamentos do Master reunidos em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), após solicitação do presidente da corte, Luiz Edson Fachin.
A Polícia Federal também investiga possíveis relações de Vorcaro com políticos e a produção de um filme sobre Bolsonaro. Flávio Bolsonaro disse ter pedido parte dos cerca de R$ 130 milhões prometidos ao projeto, dos quais R$ 60 milhões teriam sido pagos. A PF apura ainda possíveis desvios de recursos públicos e encontrou mensagens sobre um pagamento de R$ 350 mil em dinheiro vivo para Ciro Nogueira. O senador Jaques Wagner, por sua vez, deixou a liderança do governo no Senado após virar alvo da investigação e nega irregularidades.


