Aliados do presidente Lula (PT) tentam obter a neutralidade nacional do PSD e ampliar o diálogo com o grupo de Augusto Cury (Avante) diante da possibilidade de um segundo turno entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Pesquisas recentes indicam avanço do senador, que aparece numericamente à frente do petista em algumas simulações da etapa decisiva.
A avaliação entre os articuladores de Lula é que uma vitória no primeiro turno, antes considerada possível, se tornou inviável. O presidente também enfrenta dificuldade para atrair os eleitores dos candidatos derrotados, porque os principais adversários estão identificados com o campo antipetista. A expectativa é que parte expressiva desse eleitorado migre para Flávio Bolsonaro.
Ronaldo Caiado (PSD), que registrou 4% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, é visto como um aliado difícil. O levantamento tem margem de erro de 2 pontos percentuais. Ainda assim, os aliados de Lula consideram possível negociar uma posição neutra do PSD. A conversa seria conduzida com Gilberto Kassab, presidente do partido e vice na chapa de Caiado.
Uma neutralidade nacional da legenda poderia facilitar a aproximação de Lula com lideranças locais do PSD. Parte desses dirigentes já apoia o presidente no primeiro turno. Os articuladores também calculam que uma parcela dos eleitores de Caiado pertence à direita tradicional, rejeita Lula, mas também não apoia Flávio Bolsonaro. Nesse grupo, o petista poderia conquistar votos pela rejeição ao adversário.
Cury aparece em terceiro lugar nas pesquisas, com 6% das intenções de voto. O candidato do Avante afirmou que não apoiará Lula nem Flávio Bolsonaro. Mesmo com a expectativa de que ele permaneça neutro, aliados do presidente buscam estreitar as conversas com seu grupo.
Lula mantém setores do Avante em sua aliança. O presidente do partido na Bahia, o deputado estadual Ronaldo Carletto, é o primeiro suplente na candidatura de Rui Costa (PT) ao Senado. Costa foi ministro da Casa Civil e deixou o cargo para disputar a eleição. Caso Lula seja reeleito, há a possibilidade de Costa voltar ao ministério, o que poderia abrir espaço para a atuação do suplente no Senado.
Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), também identificados com o antipetismo, registraram 3% e 2%, respectivamente, no último Datafolha. Os candidatos de partidos menores de esquerda não ultrapassaram 1% das intenções de voto.
Entre os eleitores de Cury, Caiado, Renan e Zema, Flávio Bolsonaro tem 43% das intenções de voto no segundo turno, contra 30% de Lula. Outros 26% escolheram o voto branco, nulo ou nenhum. Nessa amostra, a margem de erro é de 4 pontos percentuais: Flávio varia de 39% a 47%, e Lula, de 26% a 34%.
O cenário atual é diferente das eleições anteriores de Lula. Em 1989, ele recebeu o apoio de Leonel Brizola e Mário Covas no segundo turno contra Fernando Collor, que venceu a disputa. Em 1994 e 1998, perdeu para Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno.
Lula venceu em 2002, após receber o apoio de Anthony Garotinho e Ciro Gomes no segundo turno. Em 2006, não teve apoios formais, mas absorveu eleitores de Heloísa Helena e Cristovam Buarque. Em 2022, recebeu o apoio de Simone Tebet, e o PDT aderiu à sua candidatura na reta final, sem a participação de Ciro Gomes na campanha.



