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Política

Lula viaja a Nova York para discurso na ONU em meio a tensão com os EUA

Presidente falará na terça-feira e poderá cruzar com Donald Trump durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Lula viaja a Nova York para discurso na ONU em meio a tensão com os EUA
Foto: Jeenah Moon/Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca neste domingo (20) para participar da Assembleia-Geral da ONU, em uma visita curta aos Estados Unidos marcada pela tensão entre Brasília e Washington e pela proximidade das eleições brasileiras de 4 de outubro.

Lula fará na terça-feira (22) o discurso que tradicionalmente abre a participação dos chefes de Estado no encontro, que reúne representantes dos 193 países-membros das Nações Unidas. Na sequência, falará Donald Trump, presidente do país anfitrião.

A ordem das falas pode permitir um contato entre os dois nos bastidores, embora não haja reunião formal prevista. Em setembro de 2025, os presidentes conversaram por cerca de 40 segundos antes do discurso de Trump. O encontro abriu caminho para a retomada do diálogo entre os governos depois de meses de atritos.

Nos dias seguintes, representantes dos dois países ampliaram as negociações sobre o tarifaço aplicado a produtos brasileiros e outras medidas adotadas por Washington, incluindo sanções financeiras e restrições de vistos.

Soberania e eleição

A relação bilateral chega novamente pressionada à viagem de Lula. A poucas semanas da eleição disputada pelo presidente contra o senador Flávio Bolsonaro, integrantes do governo manifestaram preocupação com uma possível interferência externa no processo eleitoral. A defesa da soberania nacional passou a ocupar espaço central no discurso político do governo.

A expectativa é que Lula defenda na ONU o princípio da não intervenção nos assuntos internos dos países. Também deve sustentar que decisões políticas, judiciais e eleitorais brasileiras precisam ser tomadas sem pressão externa. A orientação é apresentar o tema de forma ampla, sem fazer um ataque nominal ao governo americano.

O presidente também deve abordar o combate ao crime organizado, a emergência climática e a fome. A equipe estima que o discurso dure em torno de 20 minutos. Ao falar sobre segurança, Lula deve diferenciar sua abordagem daquela adotada atualmente pelos Estados Unidos na América Latina.

Na segunda-feira (21), Lula tem encontro marcado com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, a convite do político. Auxiliares do presidente negam que a reunião possa enviar um sinal negativo a Trump. Mamdani é descrito no texto como a figura pública com maior capacidade de antagonizar o presidente americano, embora não possa disputar a Presidência por não ter nascido em solo americano.

Disputas entre Brasil e Estados Unidos

Entre os atritos acumulados ao longo deste ano estão novas disputas comerciais, divergências sobre o combate ao crime organizado e a classificação de facções brasileiras. Também houve a revogação do visto da embaixadora em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

A decisão ocorreu durante a demora do governo brasileiro em conceder o agrément ao indicado para assumir a embaixada americana em Brasília. O termo designa o aval diplomático necessário para a nomeação.

A viagem ocorre ainda após a desistência, no sábado (19), da chilena Michelle Bachelet da campanha para a Secretaria-Geral da ONU. Ela era a candidata patrocinada pelo Brasil e apresentava mau desempenho nas votações secretas do Conselho de Segurança. Na votação mais recente, ficou claro que ao menos um dos cinco membros permanentes da organização a vetava, o que eliminava suas chances reais.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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