O Brasil registrou 26 assassinatos de defensores ambientais em 2025, mais que o dobro dos 12 homicídios contabilizados em 2024. Com o resultado, o país passou do quarto para o segundo lugar no ranking mundial da Global Witness, atrás da Colômbia, que teve 39 mortes.
O Brasil voltou à posição ocupada em 2023 e 2022. O aumento ocorreu no mesmo ano em que Belém (PA) recebeu a COP30, cúpula sobre mudança climática das Nações Unidas, que teve participação indígena recorde e incluiu compromissos sobre direitos territoriais.
Quase todos os casos registrados no país tiveram como principal causa disputas por terra. Desse total, sete estavam ligados a territórios indígenas e 14 envolviam agricultores familiares. Rondônia e Pará concentraram, juntos, metade das mortes. Segundo a Global Witness, comunidades tradicionais da região sofrem pressão com o avanço das fronteiras agrícola e extrativista.
“A falta de resolução sobre os seus direitos fundiários deixam povos indígenas e pequenos agricultores expostos à grilagem de terras, intimidação e violência”, afirma Gabriella Bianchini, chefe de parcerias da organização. Ela também diz que essas comunidades se organizam, recorrem à lei e desenvolvem estratégias próprias para defender seus territórios e direitos.
Violência na América Latina
A América Latina registrou 105 assassinatos de defensores ambientais em 2025, quase nove em cada dez mortes contabilizadas no mundo. A Colômbia liderou a lista, com 39 homicídios. Quase metade das vítimas colombianas era indígena, e outras 15 eram agricultoras familiares.
O departamento de Cauca, no sudoeste colombiano, aparece no centro da violência. A região fica próxima à fronteira com o Equador e a rotas de exportação pelo Pacífico. A Global Witness afirma que o cultivo de coca aumentou cinco vezes na última década, em meio à influência de grupos armados colombianos e cartéis mexicanos.
O total global de mortes caiu 15% em relação a 2024, quando foram registrados 142 assassinatos, e 37% na comparação com 2023, que teve 196 casos. A organização alerta que os números podem estar abaixo do total real por causa de casos não denunciados, insegurança, mortes em massa durante conflitos e repressão à documentação de abusos.
Desde 2012, a entidade documentou 2.375 assassinatos e desaparecimentos. Em 2025, quase três quartos das vítimas eram indígenas, com 47 mortes, ou pequenos agricultores, com 44. Sete indígenas mortos atuavam como guardas na proteção de seus territórios.
Disputas por terra estiveram associadas a 84 mortes, seguidas por mineração, com 11, extração de madeira, com oito, e agronegócio, com seis. A organização também identificou possíveis vínculos com o crime organizado nos seis países que lideram o ranking: Colômbia, Brasil, Filipinas, Honduras, México e Guatemala.



