SÃO PAULO — O Brasil registrou 524 tornados entre 2018 e 2026, segundo dados do Prevots, projeto mantido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da Universidade de Oklahoma, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM). Os casos foram identificados em mais de 280 cidades, principalmente no Centro-Sul, embora também haja ocorrências no Norte e no Nordeste.
O país não tem um banco de dados oficial dedicado ao monitoramento desses fenômenos. O Prevots reúne informações sobre a localização e a intensidade dos tornados a partir de relatos, notícias e imagens de satélite ambiental.
Estados e cidades com mais registros
Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina concentram 227 dos 524 tornados registrados desde junho de 2018. Foram 93 ocorrências no Rio Grande do Sul, 81 no Paraná e 53 em Santa Catarina.
São Paulo aparece na sequência, com 90 registros, apenas três a menos que o Rio Grande do Sul. A concentração no Sul também alcança áreas do Centro-Sul, como São Paulo e Mato Grosso do Sul, mas com menor frequência.
Sarandi e Guaíba, no Rio Grande do Sul, e Dourados, no Mato Grosso do Sul, lideram entre as cidades, com nove ocorrências cada uma. Horizontina (RS), Xanxerê (SC) e Ananindeua (PA) tiveram oito registros. Corbélia (PR), Cerqueira César (SP) e Salvador (BA) registraram sete cada uma. Guarapuava (PR) aparece com seis ocorrências.
Tipos de tornado
Os tornados podem se formar a partir de supercélulas, linhas de instabilidade ou trombas d’água e terrestres. As supercélulas são tempestades com rotação e geram os fenômenos de maior potencial destrutivo. No Sul, elas representam 51% dos casos identificados.
No conjunto do país, porém, predominam as trombas d’água e terrestres, que correspondem a 58% das ocorrências. As supercélulas representam 27%.
A classificação do Prevots reúne 142 casos intensos, associados a supercélulas; 78 de intensidade média, ligados a linhas de instabilidade; e 304 de baixa intensidade, formados por trombas d’água ou terrestres.
A formação mais frequente no Sul é associada ao encontro de ar quente e úmido levado da Amazônia pelos chamados rios voadores com ar frio e seco vindo da Argentina. Esse contraste aumenta a velocidade do vento com a altitude e pode gerar rotação capaz de chegar ao solo.
Como os casos são confirmados
A rede de pesquisadores busca relatos de pessoas nas redes sociais e notícias sobre possíveis ocorrências, registrando o local e o horário aproximados. Depois, as informações são comparadas com imagens de satélite ambiental, que podem mostrar marcas deixadas pelo tornado na vegetação e ajudar a confirmar o fenômeno e sua intensidade.
É possível apontar, com até 24 horas de antecedência, uma região com condições para tempestades capazes de gerar tornados. A previsão do ponto exato e do horário, porém, é mais limitada. Esses fenômenos têm menos de um quilômetro de diâmetro e raramente duram mais de meia hora.



