SÃO PAULO — A CPTM vai ressarcir a Trivia Trens em cerca de R$ 24,4 milhões pelos 90 dias em que reassumiu a gestão das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade. O pagamento está previsto em aditamento publicado na última sexta-feira (11) e considera despesas a partir de 24 de julho, quando a estatal retomou a operação dos ramais.
Segundo a companhia, o valor cobre serviços contratados pela concessionária e utilizados pela CPTM, como manutenção de elevadores e escadas rolantes, limpeza e outros custos operacionais das estações. A estatal afirmou que o montante não corresponde a uma remuneração da Trivia pela operação das linhas durante o período sob responsabilidade pública.
"O aditivo apenas prorroga a vigência do convênio", informou a CPTM.
Pane interrompeu três ramais
A Trivia Trens assumiu o controle das linhas em 21 de julho, sob supervisão da CPTM. Dois dias depois, uma falha no fornecimento de energia elétrica e um incêndio em um trem interromperam a circulação dos três ramais. Passageiros deixaram uma composição e caminharam pelos trilhos.
A ocorrência começou por volta das 5h40, entre as estações Tatuapé e Brás, na linha 12. De acordo com a empresa, a subestação que alimentava o ramal foi desligada por segurança. As linhas 11 e 13 também foram paralisadas até a solução do problema, à tarde. Uma apuração técnica foi aberta, mas o resultado não foi informado.
Após a pane, o governo Tarcísio de Freitas devolveu à CPTM a gestão das linhas por ao menos 90 dias. No dia do problema, o governador ameaçou decretar a caducidade da concessão caso a Trivia não cumprisse o contrato. "Acho que a empresa precisa se preparar melhor para assumir esse encargo, esse ônus", disse Tarcísio.
Inquérito do Ministério Público
Em 28 de julho, o Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito civil para apurar as falhas. A portaria foi assinada por Patrícia de Carvalho Leitão, da 4ª Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital. O procedimento tem prazo de um ano, com possibilidade de renovação por mais um.
A investigação foi aberta depois de pedidos feitos por um usuário da linha 11-coral, pela deputada federal Erika Hilton e pela ativista Sofia Favero. A portaria registra que, desde o início da operação da Trivia, foram apontadas mais de sete falhas operacionais graves em apenas três dias de gestão.
A concessão foi definida em leilão realizado em março de 2025 e vencido pelo grupo Comporte Participações, criado por Nenê Constantino, da família fundadora da Gol. A Trivia é a holding do grupo voltada ao setor de transporte. Os investimentos previstos nas linhas 11, 12 e 13 são de R$ 14,3 bilhões. O contrato inclui a construção de estações e extensões e a manutenção de 92 composições; outros 15 trens serão incorporados gradualmente.
No mês passado, trabalhadores da CPTM entraram em greve por causa da concessão. Em resposta, Tarcísio enviou à Alesp um projeto que garantiu o remanejamento dos ferroviários dos três ramais.



