O retinol ultrapassou o ácido hialurônico nas buscas na internet em 2026, segundo dados do Google Trends. O derivado da vitamina A vem ganhando espaço desde 2023 e passou a figurar entre os ativos mais pesquisados sobre cuidados com a pele.
A niacinamida e os ácidos salicílico, glicólico e mandélico também se popularizaram. Embora sejam substâncias conhecidas da dermatologia, hoje aparecem em uma variedade maior de cosméticos e concentrações para uso doméstico.
A dermatologista Sylvia Ypiranga afirma que a circulação de informações sobre cosméticos e a oferta de produtos com ativos conhecidos ajudaram a levar ingredientes usados em tratamentos estéticos para as rotinas de skincare. Ela ressalta que idade, tipo de pele, sensibilidade, doenças dermatológicas e tratamentos em andamento devem ser considerados na escolha.
Funções e combinações
O retinol pertence à classe dos retinoides e é usado para questões como textura, pigmentação e fotoenvelhecimento. Por ser sensível à luz e ao oxigênio, sua estabilização e o acondicionamento do produto podem influenciar a manutenção da substância na fórmula.
A niacinamida, uma forma da vitamina B3, pode ajudar no fortalecimento da barreira da pele, no controle da oleosidade, na redução da inflamação e na melhora da pigmentação. O ácido salicílico é mais associado a peles oleosas e com tendência a acne, enquanto os ácidos glicólico e mandélico promovem esfoliação química e podem ser usados para melhorar textura e pigmentação.
Niacinamida e retinol podem ser usados na mesma rotina, e a primeira pode contribuir para a tolerabilidade do segundo. A combinação entre niacinamida e ácido salicílico também pode fazer sentido para pele oleosa ou com acne.
Já o uso conjunto de retinol e ácidos esfoliantes, como glicólico e salicílico, exige mais cautela. Diferentes ácidos usados simultaneamente podem aumentar a irritação, principalmente quando aplicados com frequência. “A pele não sabe que cada produto veio de uma embalagem diferente. Ela recebe a soma de todos os estímulos”, diz Ypiranga.
Como iniciar uma rotina
O farmacêutico Maurizio Pupo alerta que produtos com o mesmo ingrediente não necessariamente têm o mesmo desempenho. Além da concentração, estabilidade, pH, permeação e combinação dos componentes da fórmula interferem no resultado.
Para quem está começando, a recomendação é estabelecer primeiro uma rotina básica, com limpeza adequada, hidratação se necessário e proteção solar. Depois, o ativo deve ser escolhido conforme o objetivo, como acne, oleosidade, manchas, textura, sensibilidade ou fotoenvelhecimento.
A frequência precisa acompanhar a tolerância da pele. Um ativo que funciona três vezes por semana pode causar irritação se usado diariamente. Ardor persistente, vermelhidão, descamação, repuxamento, coceira e sensibilidade podem indicar excesso. Nessa situação, a orientação é simplificar a rotina e introduzir produtos um por vez, o que também facilita identificar a causa de uma eventual reação.



