A inteligência artificial pode acelerar decisões, ampliar análises e apoiar a eficiência operacional das empresas, mas não substitui a confiança construída entre organizações, clientes, parceiros e fornecedores. A avaliação é de Paulo Andrade, CEO da Casa Flora Importadora.
Para Andrade, o avanço da tecnologia ocorre em um momento adequado para discutir a importância da reputação empresarial, especialmente durante a divulgação da Folha Top of Mind, pesquisa sobre lembrança de marcas realizada no país.
A Casa Flora, segundo seu CEO, foi criada em um período em que os negócios dependiam principalmente das relações entre pessoas. Ao longo de mais de cinco décadas, a empresa teria transformado essa característica em parte de sua trajetória. O desafio atual seria combinar inovação e relacionamento, fazendo com que um fortaleça o outro.
Tecnologia como apoio à gestão
Entre as aplicações da inteligência artificial estão a antecipação de tendências, a comparação de mercados, o aprimoramento do relacionamento com clientes e o suporte a decisões estratégicas. A ferramenta também pode contribuir para a eficiência operacional.
O uso da tecnologia, porém, não garantiria sozinho uma vantagem competitiva. Na avaliação de Andrade, cabe às lideranças formular as perguntas adequadas e identificar em quais situações a inteligência artificial pode gerar valor para o negócio.
A confiança acumulada ao longo do tempo continuaria sendo um diferencial. No segmento da Casa Flora, alguns vínculos com parceiros, clientes e fornecedores atravessam gerações. Essa relação faria com que a empresa fosse vista não apenas como uma distribuidora, mas também como uma parceira.
A reputação, associada à seriedade, à consistência e à qualidade do serviço, deve ser preservada durante os processos de mudança. Para Andrade, qualquer inovação precisa ser implementada com transparência e direcionada ao fortalecimento do atendimento.
O CEO também defende que a evolução empresarial combine novos processos e uma gestão mais profissional com respeito à história e aos valores que sustentaram a credibilidade da organização. Nesse entendimento, transformar a empresa não significa romper com o passado, mas prepará-la para o futuro sem abandonar o que a tornou relevante.
Os hábitos de consumo e o ambiente de negócios continuarão mudando. Ainda assim, a avaliação é que permanecerão relevantes as empresas capazes de oferecer excelência em serviço, gerar valor para os clientes, atender às expectativas dos parceiros e manter uma postura constante de aprendizado. A inteligência artificial pode ser uma das principais transformações recentes, mas a confiança não é construída em poucos meses.



