CAMPINA GRANDE — A Polícia Civil prevê indiciar por lesão corporal de natureza gravíssima a mulher suspeita de amputar o órgão genital do marido. O homem, por sua vez, deve ser indiciado por estupro de vulnerável contra os dois enteados, de 8 e 10 anos. Os dois inquéritos estão em fase final e aguardam os últimos laudos periciais, segundo o delegado Heitor Soares, responsável pela investigação.
A mulher se apresentou à polícia na última quinta-feira (10) e confessou ter amarrado o marido e cortado o órgão genital dele com uma faca. Conforme o depoimento, ela jogou o órgão no vaso sanitário e acionou a descarga. O item não foi localizado, e a faca também não foi encontrada. A polícia ainda avalia se a agressão pode estar relacionada a outros crimes, como eventual tortura.
A investigação aponta que a mulher teria agido após suspeitar que o marido abusava sexualmente dos dois filhos dela. As crianças participaram de depoimento especial e relataram ter sofrido abuso sexual, de acordo com Heitor Soares. O homem nega os crimes.
Investigação sobre as crianças
Segundo o delegado, os supostos abusos teriam começado depois que as crianças pediram autorização para jogar no celular. A mãe não teria permitido, mas o padrasto teria liberado o uso em troca dos abusos. Os fatos teriam ocorrido há mais de um ano, quando a família morava no bairro da Liberdade.
As crianças contaram o que teria acontecido à mãe. O pai delas registrou um boletim de ocorrência no dia 7 de setembro, quando foi aberto um inquérito. A Polícia Civil ouviu o homem, a mulher e testemunhas, além de realizar o depoimento especial das crianças por meio de uma equipe especializada.
Caso os elementos sejam confirmados, a mulher responderá pela lesão considerada gravíssima por causa da amputação e da perda da função sexual. O homem deverá passar por cirurgia para reconstrução do canal urinário.
Medidas adotadas
Os dois permanecem em liberdade. A polícia não pediu a prisão da mulher porque ela não tinha antecedentes criminais e, conforme a avaliação da investigação, não apresentava risco à coletividade. O homem recebeu medida protetiva que o impede de se aproximar ou manter contato com as crianças.
O caso começou na noite de 6 de setembro, no bairro da Catingueira. O homem, de 33 anos, foi encontrado pela Polícia Militar com mãos e pés presos e havia perdido muito sangue. O órgão genital não estava no local. À polícia, ele afirmou que a companheira teria pedido para testar tipos de nós aprendidos em um curso de bombeiro civil antes de amarrá-lo.
As suspeitas de abuso foram informadas à mãe no sábado (5). Conforme o relato repassado à polícia, as crianças disseram que o padrasto teria abusado delas em troca do celular.



