A investigação sobre a morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira identificou 13 envolvidos no episódio ocorrido em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Quatro pessoas foram presas, enquanto um quinto suspeito é considerado foragido. Os demais investigados responderão em liberdade.
A polícia concluiu que Cláudio foi cercado por seguranças particulares e sofreu agressões durante cerca de nove minutos. As imagens analisadas mostram socos, chutes e dezenas de golpes com um objeto de madeira. Para finalizar o inquérito, os investigadores examinaram mais de 12 horas de gravações.
Cinco pessoas foram indiciadas pelo homicídio triplamente qualificado: dois seguranças, dois entregadores e um quinto homem, que ainda não foi localizado. O delegado responsável afirmou: “Conseguimos identificar as pessoas envolvidas no homicídio em si”.
Também foram indiciados o ciclista que aparece nas imagens e não presta auxílio à vítima, por omissão de socorro, e uma jovem apontada como responsável por entregar o bastão de madeira a um dos agressores, por lesão corporal. Outros envolvidos foram enquadrados por exercício ilegal de profissão.
Suspeito foragido
O quinto homem foi identificado como Wellington Luiz Santos de Souza. Em 27 de agosto, o Disque Denúncia divulgou um cartaz para pedir informações que levassem à localização dele. Wellington teria chutado a cabeça de Cláudio depois de perguntar aos entregadores se ele era um “ladrão”.
Segundo relatos de testemunhas, após ouvir a confirmação, Wellington teria dito: “Ladrão tem que morrer mesmo”. Ele morava na Rocinha, na Zona Sul do Rio, e passou a ficar na lavanderia de um conhecido depois de deixar a casa da mãe. Prestou depoimento à polícia, confirmou ser a pessoa que aparece nas imagens e não foi mais visto depois disso.
Entre os presos estão dois entregadores de aplicativo e dois seguranças. Um dos seguranças, Davi dos Santos Machado, é apontado como responsável por atingir Cláudio com o bastão. Em depoimento, Davi disse inicialmente que havia dado apenas um soco e atribuiu as agressões aos entregadores.
Davi afirmou ainda que telefonou para o chefe da segurança, identificado como Aluísio, e recebeu orientação para fotografar a bicicleta. Também declarou que não havia informação concreta de que o veículo tivesse sido furtado, que Cláudio não reagiu e que não ouviu pedidos de socorro.
Morte e impacto na família
Cláudio, de 37 anos, estava com a bicicleta da irmã quando parou diante de uma loja de brinquedos e de uma farmácia na Rua Barata Ribeiro. Ele foi acusado injustamente de furtar a bicicleta, sofreu traumatismo cranioencefálico, hemorragia interna e rompimento de órgãos.
Socorrido pelo Corpo de Bombeiros, foi levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Zona Sul, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em 12 de agosto.
Fabiana Landeiro disse que ainda não consegue dormir e teme pela família por causa da exposição do caso. “É muito triste, eu ainda não consigo acreditar”, afirmou.
A polícia também investiga comerciantes da região, suspeitos de financiar um esquema de segurança privada irregular em Copacabana. Com a conclusão do inquérito, as informações serão encaminhadas ao Ministério Público, que deverá avaliar as acusações e decidir sobre eventual denúncia à Justiça.



