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Política

Afastamento do chefe da PF amplia crise entre André Mendonça e ministros do STF

Decisão contra Andrei Rodrigues ocorre após troca de acusações envolvendo investigações sobre o Banco Master e o INSS.

Afastamento do chefe da PF amplia crise entre André Mendonça e ministros do STF
Foto: Folhapress

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A medida foi tomada depois que um relatório interno da PF, usado pelo ministro Alexandre de Moraes, embasou um pedido de investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução de apurações sobre o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A decisão é o episódio mais recente de uma crise que se intensificou com as investigações sobre as relações de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no escândalo do Banco Master. Relatórios de inteligência da PF registraram que Mendonça teria afirmado que Andrei Rodrigues mantinha proximidade inadequada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Restrições e cobranças sobre a PF

Em abril, Mendonça determinou que delegados que não participassem diretamente das equipes dos inquéritos não tivessem acesso às investigações. A limitação alcançou integrantes da cúpula da PF e superiores hierárquicos dos investigadores. O ministro justificou a decisão como uma forma de evitar interferências e vazamentos, com base em sua experiência no Ministério da Justiça e na Advocacia-Geral da União (AGU) durante o governo Jair Bolsonaro.

A insatisfação também apareceu na investigação da operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS. Em junho, Mendonça estabeleceu prazo de 60 dias para a análise de itens apreendidos de presos e de pessoas submetidas a medidas restritivas. A PF pediu mais tempo, alegando falta de servidores: 11 agentes trabalhavam no caso, embora fossem necessários mais de 40.

Entre as medidas estava a análise da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula. A autorização havia sido dada pelo ministro em fevereiro.

Conflito sobre o caso Master

A relatoria do caso Master passou a ser criticada por ministros do STF. Gilmar Mendes acusou Mendonça de interferir indevidamente nas negociações de delação de Vorcaro, relacionadas a acordos rejeitados pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). “O direcionamento de uma delação premiada para atingir alvos políticos predeterminados não somente macula a voluntariedade do pretenso acordo como descredibiliza por completo qualquer produto que resulte da suposta colaboração”, afirmou.

Na terça-feira (1º), Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF que registrava contatos entre Vorcaro e uma pessoa apontada como Moraes. As mensagens indicavam que o banqueiro perguntou ao ministro se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025. O documento também apontava edições feitas por Moraes em um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, além de ao menos seis encontros entre os dois desde 2024.

Horas depois, Paulo Gonet, procurador-geral da República, pediu a anulação do relatório. Gonet afirmou que Mendonça “se valeu da polícia” para “impor a investigação” de Moraes e exerceu atividades que não lhe foram atribuídas.

Em resposta, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado. O despacho, assinado no inquérito das fake news, foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, na quinta-feira (3). Moraes usou um relatório interno da PF que, segundo o texto, não tem valor probatório nem pode ser empregado em procedimentos. O documento mencionava, entre outros pontos, uma suposta orientação de Mendonça para direcionar investigações contra Davi Alcolumbre, presidente do Senado.

Mendonça confirmou ainda que Vorcaro prestou depoimento com a presença do Ministério Público e sem a PF. Em nota, disse que o ato ocorreu a pedido da defesa, diante de alegadas intimidações, e que não tratou de temas relacionados a Moraes. O depoimento foi conduzido por um juiz auxiliar.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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