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Esquerda americana troca foco de identidade por classe, mas mantém divisões internas

A mudança de raça e gênero para salários, preços e acesso à saúde redefine o ativismo democrata nos Estados Unidos.

Esquerda americana troca foco de identidade por classe, mas mantém divisões internas
Foto: Getty Images via AFP

A esquerda americana começou a deslocar seu foco de raça e gênero para classe, salários e custo de vida. A mudança ocorreu entre o segundo discurso de posse de Donald Trump, em janeiro de 2025, e a primeira posse de Zohran Mamdani, no janeiro seguinte, segundo a análise apresentada no texto.

A nova orientação aparece tanto entre progressistas quanto entre democratas moderados. Mamdani venceu com uma mensagem sobre tornar a vida mais acessível, enquanto candidatos democratas ao governo da Virgínia e de Nova Jersey adotaram propostas semelhantes. Da Geórgia ao Alasca, os democratas passaram a defender salários mais altos, preços mais baixos e cuidados de saúde mais acessíveis.

Nesse discurso, a posição econômica ganhou mais peso do que a identidade racial na definição de vítimas e vilões. Bilionários são apresentados como os principais adversários, e qualquer pessoa que trabalhe para pagar as próprias contas passou a ser incluída em uma definição ampla de classe trabalhadora.

Os exemplos em Nova York

A administração de Mamdani também expôs contradições entre o discurso socialista e a vida privada de alguns integrantes dos Socialistas Democráticos da América (DSA). Gustavo Gordillo, copresidente do diretório nova-iorquino da organização, é descrito como líder contrário aos ricos, mas vive em um apartamento de US$ 1,5 milhão comprado pelos pais.

Gordillo estudou arte e literatura em Yale e foi demitido de um programa de aprendizagem do sindicato dos eletricistas por não comparecer ao trabalho. Sua mãe dirige um Porsche prata.

Tracy Rosenthal, defensora da abolição dos aluguéis, é filha de um produtor musical. Grace Ryan, uma herdeira de 25 anos de uma fortuna do chocolate, trabalhou durante as primárias para um candidato democrata de esquerda ao Congresso. Ela também publicou fotos fumando um charuto em um barco e usando um suéter de US$ 400 da Ralph Lauren.

Ryan justificou sua atuação com a ideia de noblesse oblige, segundo a qual pessoas privilegiadas têm o dever de agir com responsabilidade, generosidade e ética perante a sociedade. A questão levantada é se uma pessoa rica deixa de poder ajudar os mais pobres apenas por manter um estilo de vida privilegiado.

De Woke 1 a Woke 2

A fase anterior do ativismo de esquerda concentrou-se no racismo e na discriminação de gênero. A identidade passou a ser tratada como destino, e o branco mais pobre foi descrito como beneficiário de privilégios negados ao negro mais rico.

Entre os fatores associados a esse período estão a difusão de ideias das universidades para as redes sociais, a ascensão de Trump, o movimento #MeToo e a morte de George Floyd sob o joelho de um policial em 2020. A defesa da justiça social, embora apresentada como uma pauta sobre policiamento, também passou a se concentrar em temas ligados à elite multirracial americana, como a admissão preferencial em universidades de elite.

A derrota de Kamala Harris em 2024 e o crescimento do apoio de Trump entre eleitores não brancos da classe trabalhadora contribuíram para a mudança. Também pesaram a repressão de Trump a programas de diversidade, equidade e inclusão, a decisão da Suprema Corte contra políticas de admissão universitária que consideravam raça e a atenção de ativistas democratas à injustiça em Gaza.

A transição, porém, ainda é incompleta. Alguns democratas trataram os excessos anteriores com ironia; outros tentaram redefinir slogans, como a defesa do desfinanciamento da polícia. Também há integrantes que não recuaram de suas posições. O resultado dessa disputa ainda não está definido.

A nova ênfase econômica pode não revitalizar o Partido Democrata nem resolver as dificuldades dos americanos. Se conseguir, porém, o partido terá jovens militantes oriundos de famílias privilegiadas entre os responsáveis por recuperar uma agenda voltada às condições materiais da classe trabalhadora.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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