APARECIDA DE GOIÂNIA — O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que, se eleito, indicará quatro mulheres para eventuais vagas no Supremo Tribunal Federal (STF) durante seu mandato. Ele não informou quais seriam os nomes escolhidos.
“Eu terei ali a possibilidade de indicar quatro vagas do Supremo. As quatro serão indicadas por mim, serão mulheres que estarão assumindo o Supremo Tribunal Federal”, disse Caiado durante entrevista à imprensa.
A declaração ocorreu na manhã deste domingo (6), durante uma visita à feira livre do Graravelo, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. Caiado chegou às 9h, em frente ao Terminal do Graravelo, e percorreu a feira acompanhado da candidata ao Senado Gracinha Caiado e do candidato ao governo de Goiás Daniel Vilela.
Os dois candidatos se encontraram durante o trajeto e seguiram juntos até o canteiro central da Avenida Tropical, onde falaram com jornalistas. Caiado conversou e tirou fotos com populares e feirantes.
Mudanças nas regras do Supremo
Questionado sobre a crise envolvendo o STF, Caiado também defendeu alterações nas regras para ministros da Corte. Entre as propostas está a exigência de idade mínima de 60 anos para assumir o cargo. Ele mencionou ainda restrições para o período posterior à saída do tribunal, incluindo tempo sem exercer a profissão ou disputar eleições.
O candidato criticou a atuação do ministro Alexandre de Moraes e afirmou que o Supremo precisa recuperar a credibilidade perante a população. Para Caiado, Moraes não deveria continuar participando de julgamentos e tomando decisões na Corte diante das informações divulgadas.
“É inaceitável, é inadmissível, com tudo aquilo que veio à tona, ainda o ministro Alexandre de Moraes continuar ali dando decisões, julgando processos”, afirmou.
Relatórios da Polícia Federal
A crise citada por Caiado envolve uma investigação sobre supostas fraudes financeiras relacionadas ao extinto Banco Master e a empresas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, encontrou conteúdos no celular do empresário que levaram a apuração para instituições como o STF, a Procuradoria-Geral da República, o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto.
Na terça-feira (1º), o ministro André Mendonça retirou o sigilo de relatórios produzidos a pedido dele pela Polícia Federal. Os documentos mencionavam autoridades como Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Parte dos relatórios apresentava mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro e apontava uma relação de proximidade entre os dois no período investigado. De acordo com a Polícia Federal, as conversas incluíam referências a operações policiais e pedidos de encontros.
Depois da divulgação, Moraes questionou diligências autorizadas por Mendonça e a condução de negociações de acordos de colaboração nos casos Master e do INSS. O ministro pediu a abertura de investigação sobre a atuação de Mendonça e citou relatórios de inteligência da PF com possíveis indícios de assimetria na condução de investigações e direcionamento de apurações. Os próprios documentos, porém, registram que não têm caráter probatório e não podem ser usados como prova judicial.



