A oferta de criptoativos por bancos brasileiros se ampliou nos últimos anos. Além do bitcoin, as instituições passaram a disponibilizar mais de uma dezena de ativos virtuais, em um movimento que acompanha a criação de regras específicas para o setor no país.
Criptomoedas são negociadas em redes de computadores que registram e validam as operações sem depender de uma estrutura centralizada, como a de um banco. O bitcoin é o ativo mais conhecido, enquanto o ether está relacionado à rede Ethereum. Já as stablecoins procuram manter o valor próximo ao de moedas tradicionais, como o dólar.
Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Nubank estão entre as instituições que ampliaram produtos relacionados a criptoativos. A expansão ocorre enquanto o Banco Central assume novas atribuições de regulamentação e supervisão das empresas que prestam serviços com esses ativos.
Oferta cresce, mas com alerta sobre riscos
A volatilidade é um dos principais pontos de atenção para quem investe em criptomoedas. Cristiano Corrêa, professor de finanças do Ibmec, afirma que as oscilações podem ser mais intensas e rápidas do que as observadas em ações. “Em cripto, esses movimentos podem ser muito mais rápidos e maiores”, diz.
A recomendação dos analistas é limitar a parcela da carteira destinada aos ativos e direcionar esse tipo de investimento a pessoas com maior tolerância a perdas e às flutuações do mercado. Felipe Quiodine, planejador financeiro pela Planejar, considera os criptoativos úteis para diversificação, mas sugere uma alocação entre 1% e 3% da carteira total.
Dados da Receita Federal mostram que pessoas jurídicas movimentaram cerca de R$ 497 bilhões em criptoativos no Brasil em 2025. O valor equivale a 98,3% dos R$ 505,5 bilhões declarados por pessoas físicas e jurídicas. O total aumentou 22% em relação a 2024 e 433% desde 2020.
Os dados não mostram quanto desse montante está ligado à oferta de produtos bancários. Eles, porém, registram o crescimento da participação das empresas nas operações com criptoativos.
Regulamentação e produtos disponíveis
O Marco Legal dos Criptoativos foi aprovado em 2022. A lei definiu princípios gerais para o setor e atribuiu ao Banco Central a competência para regulamentar as prestadoras de serviços de ativos virtuais.
Desde 2026, essas empresas estão sujeitas a exigências de capital mínimo, segregação patrimonial e supervisão. As prestadoras que já atuavam no mercado têm prazo até novembro para se adequar às regras.
O Itaú ampliou a carteira em 2025 e oferece 15 criptoativos, incluindo bitcoin, ether e USDC, uma stablecoin vinculada ao dólar. O banco informa que mantém os ativos dos clientes sob sua custódia e recomenda que o investidor avalie a compatibilidade entre seus objetivos e os riscos do mercado.
O Banco Safra oferece o Safra Dólar, stablecoin própria lançada em 2025 e administrada e custodiada pela instituição. Segundo o banco, o produto pode ser usado como alternativa para dolarização do patrimônio.
Em janeiro, o Banco do Brasil passou a permitir investimentos diretos em bitcoin e ether. O serviço já movimentou mais de R$ 11 milhões em transações, segundo a instituição. Desde 2022, o banco também oferecia exposição ao setor por meio de fundos e ETFs. Bradesco e Santander disponibilizam produtos desse tipo.
O Nubank acrescentou quatro criptomoedas ao portfólio em maio de 2026. A plataforma passou a ter 28 ativos, entre eles bitcoin, ether e USDC, e reúne mais de 7 milhões de clientes no Brasil. A fintech classifica os criptoativos como investimentos de alto risco.
Bancos não registram ativos próprios
Apesar da oferta aos clientes, a exposição direta dos bancos tradicionais permanece limitada. Nos balancetes enviados ao Banco Central com data-base de março de 2026, não foram encontrados saldos ou registros de ativos virtuais pertencentes às próprias instituições.
O Banco Central afirma que os bancos podem intermediar e custodiar ativos virtuais, desde que cumpram as regras e comuniquem formalmente a autarquia. Na custódia, os ativos permanecem em nome dos clientes e não passam automaticamente a ser propriedade do banco.
Carlos Castilho, diretor executivo de serviços financeiros da EY, explica que há exposição própria quando a instituição usa recursos para comprar o ativo, controla os benefícios econômicos e assume diretamente os riscos de preço, liquidez e crédito.
Para Isac Costa, professor do Insper, a expansão é influenciada pela demanda dos clientes, pela redução de custos operacionais e pela consolidação das regras nacionais e internacionais. Ele diferencia a oferta de criptoativos aos investidores da decisão de manter esses ativos na carteira própria das instituições.



