PORTO ALEGRE — A investigação sobre as mortes de Sarah Domingues e Valdir dos Santos Pereira levou à prisão temporária de cinco pessoas em fevereiro de 2024, entre elas um possível mandante e dois supostos executores. O julgamento dos acusados, porém, foi dissolvido, e uma nova data deverá ser marcada para a sessão do Tribunal do Júri.
O ataque ocorreu em 23 de janeiro de 2024, na Ilha das Flores, em Porto Alegre. Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Valdir era o alvo. Sarah, estudante de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), fazia entrevistas para o Trabalho de Conclusão de Curso quando foi atingida. Ela tinha 28 anos; o comerciante tinha 53.
A polícia informou na época que pelo menos 15 tiros foram disparados. Moradores disseram que dois homens chegaram em uma motocicleta e atiraram contra as vítimas, que conversavam em frente ao mercado de Valdir. Sarah foi baleada no peito e em um dos braços. Os dois morreram no local. A mulher do comerciante estava nos fundos do estabelecimento e não foi atingida.
Acusações e andamento do processo
A promotora de Justiça Lúcia Helena Callegari afirmou que Valdir teria sido morto por se opor à atuação do tráfico de drogas na comunidade onde vivia. Ela atuará no julgamento com o promotor de Justiça Octavio Cordeiro Noronha.
Inicialmente, o MPRS denunciou quatro pessoas por homicídios qualificados por motivo torpe e pelo uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas, com arma de fogo de uso restrito. Uma delas foi impronunciada pela Justiça e não irá a júri. Com isso, três réus permanecem no processo.
A impronúncia ocorre quando a Justiça considera insuficientes os elementos para encaminhar alguém ao Tribunal do Júri. A decisão não equivale à absolvição e impede o julgamento popular enquanto não surgirem novas provas que possam justificar a reabertura do caso.
Pesquisa e homenagens
Sarah estava na Ilha das Flores para uma atividade de seu trabalho de conclusão de curso. O projeto buscava compreender a realidade da comunidade e elaborar propostas de melhorias para o local.
A estudante também foi coordenadora do Diretório Central dos Estudantes (DCE), diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE) e integrante do Conselho Universitário da UFRGS. Depois da morte, amigos, colegas e entidades estudantis fizeram homenagens. O corpo foi levado para Campo Limpo Paulista, em São Paulo, onde ela nasceu, e enterrado no cemitério municipal.



