TRÊS CORAÇÕES — A chuva de granizo que atingiu o Sul de Minas danificou lavouras de café e pode afetar a produção por até dois ou três anos, de acordo com o engenheiro agrônomo Guilherme Gaudêncio, da Procafé. Os efeitos dependem da intensidade do temporal e podem alcançar mais de uma safra.
Em Três Corações, 30% dos 50 hectares cultivados na fazenda do cafeicultor Sérgio Nabak foram atingidos. Parte das folhas caiu, enquanto as que permaneceram nas plantas ficaram danificadas. O produtor terá de fazer o chamado esqueletamento da lavoura e aplicar novos tratos culturais, além de usar mais mão de obra para estimular a recuperação.
“Tristeza, né? Porque é café que a gente esqueletou, é trabalho que a gente vinha de ano, e você vê que vai tudo água abaixo”, disse Nabak.
A florada, fase que inicia a definição produtiva da safra e contribui para a formação dos frutos, costuma ocorrer entre setembro e outubro, podendo avançar até novembro. Por isso, a condição das plantas nesse período é relevante para o desenvolvimento da produção.
Recuperação e medidas de apoio
Nas áreas menos afetadas, Gaudêncio afirma que medidas curativas, como aplicação de fungicida, cobre e nutrientes, podem ajudar a reduzir as perdas. Nos trechos mais atingidos, porém, a queda de folhas, ramos e flores deixa a planta sem parte da fonte de energia necessária para os ciclos seguintes.
Nabak afirmou que não espera colher nas safras de 2026 e 2027 e que projeta a retomada apenas em 2028. Ele ainda calcula o custo da recuperação, mas diz que, por enquanto, enfrenta prejuízos.
Produtores afetados podem buscar apoio do poder público e negociar operações de crédito rural com instituições financeiras. O advogado especializado em Direito no Agronegócio Vinicius Barquette recomenda documentar tecnicamente os danos por meio de um laudo elaborado por agrônomo.
O documento pode ser usado para acionar seguros e solicitar indenização. Na ausência de seguro, também pode apoiar pedidos de alongamento de dívidas com instituições financeiras, cooperativas e empresas do setor. Apesar do impacto, Nabak disse que pretende continuar na atividade e recuperar a lavoura.



