FRANÇA — A produção de vinho no país deve ficar entre as menores das últimas três décadas, segundo o Ministério da Agricultura. A estimativa para este ano é de 33,9 milhões de hectolitros, cerca de 4,5 bilhões de garrafas. O volume representa uma queda de 6% em relação ao ano passado e de 17% ante a média de 2021 a 2025.
A produção de champanhe deve ser uma das mais afetadas, com previsão de recuo de 49% em comparação com 2025 e de 47% diante da média de cinco anos. Na região de Borgonha-Beaujolais, a redução esperada é de um terço. O Vale do Loire deve registrar queda de 12%, enquanto Charentes pode ter retração de 6%.
O ministério informou que as condições no começo do ano eram favoráveis, mas a seca e as ondas de calor durante o verão danificaram as videiras e reduziram os rendimentos. A França teve seu verão mais quente até então em 2026. A maioria dos produtores iniciou a colheita das uvas excepcionalmente cedo.
Diferenças entre as regiões
Languedoc-Roussillon, maior região produtora de vinho da França, deve ampliar a produção em 5% em relação à safra fraca do ano passado, embora o resultado continue abaixo da média. Em Bordeaux, a previsão é de recuperação de 10% ante 2025. As chuvas no fim de agosto ajudaram a reduzir os efeitos da seca, mas a produção também deve permanecer abaixo da média de cinco anos.
A área cultivada caiu 2,5% neste ano em relação ao ano passado. O excesso de oferta diante da redução do consumo levou produtores a arrancar parte dos vinhedos.
Além dos efeitos do clima, o setor foi atingido no ano passado pelas tarifas dos Estados Unidos. O consumo está no menor nível em mais de 60 anos, influenciado por pressões econômicas, mudanças nos gostos e preocupações com a saúde.
A agricultura francesa também sofreu com as ondas de calor recordes e a falta de chuva. Na sexta-feira, a França anunciou um pacote de ajuda emergencial de mais de 1 bilhão de euros para agricultores.


