SÃO PAULO — O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, reuniu apoiadores e aliados na avenida Paulista, no centro de São Paulo, nesta segunda-feira (7), em um ato político do 7 de Setembro. O evento foi usado como parte da campanha e contou com a presença de parlamentares, ex-integrantes do Congresso e lideranças religiosas.
Flávio chegou por volta das 15h. Entre os participantes estavam os deputados Marco Feliciano e Sóstenes Cavalcante, o ex-deputado Deltan Dallagnol, o senador Sergio Moro e o pastor Silas Malafaia. Republicanos, PL e PP distribuíram material de campanha e exibiram bandeiras, enquanto candidatos a deputado usaram o protesto para buscar apoio.
A convocação bolsonarista teve como um dos motes a oposição a Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O movimento foi impulsionado pela divulgação de mensagens atribuídas a Moraes e Daniel Vorcaro, do Banco Master. Parte dos manifestantes levou bandeiras dos Estados Unidos e de Israel e imagens de pessoas condenadas pelos atos de 8 de Janeiro, apresentadas no local como vítimas de perseguição política.
Discursos e confronto
Antes do comício, manifestantes de esquerda e participantes do ato de direita entraram em confronto na região das alamedas Peixoto Gomide e Santos. A Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana atuaram para separar os grupos. Vídeos divulgados nas redes sociais registraram o uso de bombas de gás lacrimogêneo.
Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice-presidente, atacou Moraes e afirmou que “não existe Lula sem Alexandre”. O prefeito Ricardo Nunes (MDB), que apoia Flávio na capital paulista, declarou que o Supremo Tribunal Federal representa o povo brasileiro e pediu votos para candidatos da direita.
Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro, criticou os gastos do governo Lula. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, disse que Bolsonaro poderia permanecer preso por mais 10 anos caso Flávio não fosse eleito. O público respondeu com um coro pela volta do ex-presidente.
Antes da manifestação, apoiadores também defenderam o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso Master. Na terça-feira (1º), ele retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com diálogos entre Moraes e Vorcaro. Depois, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Mendonça gravou um vídeo de agradecimento pelas orações recebidas, e Gustavo Gayer (PL-GO) pediu aplausos ao ministro durante o ato.
Relação com o Banco Master e pesquisas
Flávio teve contato com Vorcaro e cobrou parcelas do financiamento do filme “Dark Horse”. O ex-banqueiro teria desembolsado quase R$ 64 milhões para a produção. O senador nega irregularidades e afirma que se tratou de uma transação privada. A Polícia Federal investiga se o dinheiro foi usado para bancar despesas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
Este foi o segundo grande ato público da campanha. O primeiro ocorreu na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 16 de agosto, e reuniu quase 9.000 pessoas, conforme estimativas do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da ONG More in Common.
No Datafolha divulgado na quinta-feira (3), Lula tinha 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio. Augusto Cury (Avante) chegou a 8%, após subir seis pontos. A diferença entre Lula e o filho de Jair Bolsonaro ficou em cinco pontos, metade da registrada em maio.



