Uma estratégia inspirada no sistema de produção da Toyota reduziu em 25% o tempo de internação de pacientes em 104 hospitais do SUS ao longo do biênio 2024-2025. As unidades estão distribuídas por 20 estados e pelo Distrito Federal.
O programa Lean nas Emergências também registrou queda de 45% no tempo de espera para atendimento e de 14% na permanência hospitalar geral. A iniciativa contemplou 99 municípios no último biênio. Minas Gerais concentrou o maior número de hospitais participantes, com 20 unidades.
Como funciona
A metodologia revisa procedimentos para eliminar atrasos, deslocamentos desnecessários, retrabalho e uso excessivo de insumos. Entre os exemplos estão a demora na entrega de exames e etapas que não interferem na relação entre médico e paciente.
Carina Tischler Pires, gerente de projetos do Sírio-Libanês e responsável pelo programa, afirma que a lógica aplicada na indústria foi adaptada para a saúde. Em um caso citado por ela, um exame que fica pronto em duas horas, mas leva três horas para chegar ao paciente, acrescenta tempo de espera sem alterar o atendimento clínico.
A redução do tempo de permanência pode liberar leitos, diminuir a lotação e ampliar a capacidade de atendimento com a mesma equipe. Também pode reduzir o uso de insumos e os riscos associados a uma permanência hospitalar mais longa.
O projeto é coordenado por seis hospitais privados que integram o Proadi-SUS: Sírio-Libanês, Einsten, Moinhos de Vento, Hcor, Beneficência Portuguesa e Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Quando uma unidade entra no programa, uma equipe avalia sua estrutura, a capacidade de atendimento e o quadro de pessoal. Depois, os profissionais recebem capacitação presencial e online.
Luiz Augusto Rodrigues, coordenador de projetos do Sírio-Libanês, diz que o objetivo é permitir que a mesma equipe atenda mais pacientes, libere leitos e reduza o consumo de recursos.
Resultados e financiamento
Ao longo do último triênio, os hospitais participantes implementaram 1.230 melhorias de processo, realizaram 1.417 visitas técnicas e propuseram 11.080 ações. O índice de execução das práticas pelos beneficiários é de 86%. A estimativa é que 2.083 leitos tenham sido liberados sem expansão física, apenas com a redução do tempo de ocupação.
O programa foi desenvolvido no âmbito do Proadi-SUS, financiado com recursos equivalentes às contribuições sociais que os hospitais deixam de recolher em razão da imunidade tributária. Em contrapartida, as instituições aplicam valor equivalente em projetos voltados ao SUS.
Para o triênio 2024–2026, o Ministério da Saúde projetou R$ 3,05 bilhões em gasto tributário associado às entidades participantes. O ciclo ainda está em andamento e não tinha valor executado registrado. Nos triênios anteriores, de 2009–2023, o total executado registrado pelo ministério foi de R$ 7,48 bilhões.
Segundo Carina, o custo do Lean nas Emergências se concentra na logística dos profissionais que viajam para capacitar as equipes. O acordo com o Ministério da Saúde prevê que os hospitais continuem o trabalho depois da implementação da metodologia.



