SÃO PAULO — O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou neste sábado (19) que o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) terá condições de se defender e deverá responder por seus atos. Leite foi preso na sexta-feira (18), em uma investigação sobre a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público paulistano.
Nunes falou durante a abertura da Virada Esportiva, no Pacaembu. O prefeito disse que todos os vereadores de sua base são aliados, mas que não pode se responsabilizar antecipadamente por eventuais acusações contra eles. “A decisão final será do juiz”, afirmou.
Milton Leite foi vereador desde 1997 e exerceu influência no Executivo paulistano. Em 2024, disputou a indicação para ser vice na chapa de Nunes. A vaga ficou com o coronel Mello Araújo, indicado por Jair Bolsonaro.
Alexandre Leite, filho mais velho de Milton, ocupou o cargo de secretário de Relações Institucionais da prefeitura até março deste ano. Ele deixou a função para disputar uma vaga de deputado federal. Nunes participou do lançamento da campanha dos filhos de Milton, mas disse que não falou com o ex-vereador nem com os filhos desde a prisão.
Investigação sobre empresas de ônibus
A Operação Vectura Corrupta afirma que o PCC controla 12 empresas de ônibus da Grande São Paulo em um esquema de lavagem de dinheiro. Entre as companhias investigadas está a Transwolff, que opera na zona sul da cidade e nega irregularidades.
A investigação classificou Milton Leite como “dono de fato” da Transwolff e afirmou que ele seria responsável diretamente pela operação da empresa. O ex-vereador negou relação com a companhia e com a facção criminosa.
“Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolff]. Nunca tive um carro”, disse Milton. Ele afirmou que sua relação com o setor de transporte foi institucional e ocorreu a pedido do então prefeito Bruno Covas, inclusive durante a negociação de uma greve em 2019.



