SÃO PAULO — Uma cobertura tríplex na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, está à venda por R$ 2,8 milhões, mas o histórico do imóvel tem dificultado a negociação. O apartamento foi o local onde Elize Matsunaga matou e esquartejou o marido, o empresário Marcos Matsunaga, em maio de 2012.
A corretora Cristiane Gomes, 43, conta que uma cliente visitou a propriedade, gostou do espaço e disse que conversaria com o marido. Depois, desistiu da compra ao descobrir o crime. “Essa cliente me ligou chorando, desesperada”, afirmou Gomes.
A cobertura tem 340 metros quadrados, cinco suítes e quatro vagas na garagem, conforme anúncios de imobiliárias. O imóvel também possui piscina privativa e churrasqueira, além de ficar próximo ao parque Villa-Lobos. A unidade é formada por duas coberturas compradas por Marcos Matsunaga e reformadas para se tornar um único apartamento.
Preço e custos do imóvel
O valor anunciado é considerado abaixo do mercado por corretores consultados. Gomes avalia que a propriedade poderia valer R$ 3,5 milhões. O condomínio custa cerca de R$ 6.000 mensais, e o IPTU é de R$ 19,3 mil por ano, parcelado em 12 vezes.
O imóvel foi colocado à venda em julho passado, depois do encerramento de disputas judiciais. Desde então, recebeu visitas e algumas propostas, mas nenhuma negociação foi concluída. A propriedade continua disponível para visitação. Vizinhos afirmam que os atuais donos mantêm os pagamentos do condomínio em dia.
O Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo orienta que profissionais informem aos interessados sobre crimes ocorridos em imóveis anunciados. A omissão do histórico pode resultar em processo por indenização por danos morais.
Segundo Gomes, parte dos corretores conhece a história da cobertura, enquanto outros só descobrem o episódio depois de receber uma solicitação de visita. “Eu prefiro perder a venda a ter que mentir”, disse a corretora.
Parte do imóvel estava em nome de Elize, que perdeu o direito à propriedade após uma decisão judicial. A família Matsunaga ficou responsável pela cobertura. Elize foi condenada em 2016 por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A pena chegava a quase 19 anos de prisão. Em maio de 2019, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça reduziu a pena em dois anos e seis meses. Desde 2022, ela está em liberdade condicional.



