SÃO PAULO — A advogada Valéria Rodrigues Linhares está entre os alvos da terceira fase da Operação Transparência, deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira (14). A ação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência junto a tribunais superiores. A participação de Valéria foi confirmada pelo advogado dela.
Segundo as investigações, integrantes do grupo teriam cobrado valores elevados com a promessa de interferir em decisões judiciais de processos ainda em andamento. A operação cumpre quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. As medidas foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação começou em dezembro de 2025 para apurar suspeitas de desvio de emendas parlamentares. Dino é o relator, no STF, de processos que investigam possíveis desvios e a falta de transparência na destinação desses recursos.
Dinheiro apreendido em Congonhas
Em agosto, a Polícia Federal encontrou R$ 510 mil em espécie na bagagem de mão de Valéria, durante uma inspeção por raio X no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo. Ela tentava embarcar para Brasília. Até o momento, não há informação de que o dinheiro esteja relacionado aos fatos investigados na Operação Transparência.
Após a apreensão, os envolvidos foram levados ao plantão da Superintendência Regional da PF em São Paulo para prestar declarações. Valéria afirmou que apresentaria a comprovação fiscal da quantia. O advogado Daniel Bialski declarou que os valores tinham origem lícita e haviam sido recebidos de um cliente pela atividade profissional da advogada.
“Esclareça-se que a advogada V.L. tem a origem lícita e comprovação dos valores recebidos de cliente”, afirmou Bialski.
Valéria é filiada ao PSD e foi candidata a deputada distrital pelo partido em 2018, quando recebeu 1.904 votos. Na época da apreensão, a direção nacional da legenda disse desconhecer o caso, enquanto o diretório do Distrito Federal informou que ela não participava das atividades partidárias.



