SÃO PAULO — O prefeito Ricardo Nunes (MDB) determinou nesta quinta-feira (17) a criação de um grupo de trabalho para analisar a investigação que levou à ordem de prisão temporária do ex-vereador Milton Leite (União Brasil). O colegiado também avaliará a possibilidade de intervenção da Prefeitura de São Paulo na empresa de ônibus A2, alvo da operação Vectura Corrupta.
O grupo reunirá representantes da Procuradoria-Geral do município, da Controladoria-Geral, da Secretaria de Mobilidade Urbana e da SPTrans. A eventual intervenção seguiria o modelo adotado anteriormente com a Transwolff e a UpBus, empresas suspeitas de manter ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
Nunes afirmou que a prefeitura entrou no caso como assistente de acusação. O prefeito disse ainda que não conversou com Milton Leite e que o episódio exige cautela por envolver fatos que continuam sob investigação. “Eu tenho muito respeito pela história e pela trajetória do ex-presidente da Câmara Milton Leite”, declarou.
Investigação
A operação apura se empresas responsáveis pelo transporte coletivo em municípios paulistas passaram a ser administradas por integrantes do PCC depois de vencer licitações. A investigação também considera suspeitas de corrupção de servidores públicos e de participação da facção no financiamento de campanhas políticas.
Foram expedidos mandados de prisão contra 16 pessoas e autorizadas buscas em 18 endereços de São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. As ordens partiram da 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo e da Vara Estadual de Garantias de Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Direitos.
Milton Leite foi vereador por sete mandatos, de 1997 a 2024, e presidiu a Câmara Municipal em 2017 e 2018 e de 2021 a 2024. Ele não foi encontrado nos endereços investigados e é considerado foragido. O ex-vereador afirmou que estava fora da capital e que se entregaria em até 24 horas.
Leite nega as acusações e diz que sua relação com o setor de transportes foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. A decisão judicial o aponta como “o dono de fato” da Transwolff, empresa acusada de lavar dinheiro para o PCC. A Transwolff também nega a acusação. Leite afirmou ainda que a empresa reúne 600 cooperados.



