SÃO PAULO — Uma perícia apontou risco de queda de materiais de construção sobre a escola infantil e berçário Vivência e Convivência, na Vila Esperança, zona leste de São Paulo. O imóvel foi interditado preventivamente pela Prefeitura de São Paulo na quarta-feira (17), por ficar ao lado de uma obra embargada da New Home.
A obra inacabada foi vistoriada pela gestão municipal, que concluiu que o local estava “sem condições de estabilidade e/ou com perigo de ruir”. A interdição da escola é provisória. A unidade fica na avenida Padres Olivetanos, no distrito da Penha, e atende crianças de quatro meses a seis anos.
Problemas identificados na obra
O empreendimento passou por duas perícias técnicas. A mais recente, realizada em junho, encontrou ferragem exposta à corrosão progressiva, falta de concretagem em uma viga de sustentação, parede com abaulamento, ausência de bandejas de proteção e reparos anteriores considerados paliativos.
O técnico responsável classificou como “crítica” a situação relacionada à queda de materiais de construção. Ele, porém, afastou o risco imediato de colapso após intervenções que estabilizaram fissuras e o muro divisório, que apresentava afundamento e inclinação.
A construção é formada por sobrados de três pavimentos, e não por um edifício alto. Durante o período de avaliação, a escola deixou de utilizar preventivamente algumas salas e parte do pátio.
Em nota, a Subprefeitura da Penha confirmou a interdição da obra, descrita como abandonada, e da escola localizada ao lado, no nº 475. A prefeitura afirmou que a medida foi tomada pelo risco apresentado pela edificação vizinha e pela possibilidade de comprometimento da segurança da unidade escolar.
Medidas judiciais desde 2023
A escola começou a relatar rachaduras, infiltrações e outros problemas em 2023. No mesmo ano, a prefeitura determinou a interdição parcial do imóvel. Um perito atribuiu à obra danos relacionados a umidade, mofo e pequenas quedas de blocos de concreto.
O laudo apontou que uma escavação feita pela construtora não respeitou normas técnicas e não garantiu a estabilidade do local. O custo estimado para corrigir os problemas era de R$ 29,5 mil. “A falta de contenção da escavação junto à divisa causou o recalque do terreno”, afirmou o perito no documento.
Em maio de 2025, uma decisão judicial determinou que a obra fosse lacrada com cadeado, medida realizada com apoio policial. O cadeado foi rompido posteriormente. A decisão previa a manutenção da interdição até a correção dos problemas técnicos e o monitoramento contínuo da estrutura, sem determinar a demolição.
Depois do desabamento de outro prédio da New Home no distrito da Penha, que deixou seis mortos no sábado (12), a escola voltou à Justiça para pedir a demolição do imóvel vizinho.
A defesa do engenheiro Ronaldo dos Santos Vivaqua, apontado como sócio oculto da empresa e preso, disse que se manifestará após a conclusão do trabalho técnico e o acesso à íntegra da investigação. A escola pediu que a interdição seja acompanhada por medidas do poder público capazes de atestar as condições de segurança da construção vizinha.



