O Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, mas não sinalizou qual será o ritmo das próximas decisões. Analistas avaliam que o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve margem para reagir à evolução da inflação, diante de riscos associados ao El Niño e aos preços do petróleo.
No comunicado divulgado nesta quarta-feira (16), o Copom afirmou: “O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
Sérgio Vale, da MB Associados, disse que a redução já era esperada por causa da desaceleração da atividade econômica e do cenário de inflação mais baixa no momento. Na avaliação dele, porém, os fatores destacados pelo Banco Central diminuíram a possibilidade de uma queda mais acelerada dos juros, que era considerada no início do ano.
O petróleo Brent encerrou esta quarta-feira a US$ 105 por barril. A escalada do conflito entre EUA e Irã interrompeu fluxos pelo estreito de Hormuz e fez as cotações voltarem a superar US$ 100. O El Niño, por sua vez, afeta temperaturas e a distribuição de chuvas entre regiões, criando desafios para o agronegócio.
Atividade e próximos cortes
Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, afirmou que o Banco Central reconheceu com mais clareza a perda de ritmo da economia, sobretudo nos setores mais sensíveis aos juros. Ele também avaliou que as eleições podem influenciar indiretamente a política monetária por meio do câmbio e das expectativas de inflação.
Para Caio Megale, economista-chefe da XP, o comunicado foi praticamente igual ao anterior, com tom cauteloso e possibilidade de novas reduções. A corretora espera que a Selic continue recuando em 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões. Megale projeta a taxa em 13,25% ao ano no fim de 2026 e em 11,50% em meados de 2027, considerando uma eventual aceleração para cortes de 0,50 ponto percentual por reunião.
Helena Veronese, da B.Side Investimentos, destacou que o Copom não antecipou os passos seguintes e preservou a liberdade para decidir conforme os dados. Natalie Victal, da SulAmérica Investimentos, afirmou que a projeção de inflação foi mantida em 3,2% no primeiro trimestre de 2028. Segundo ela, uma inflação mais alta esperada para 2027 e um possível impacto maior do El Niño sobre os alimentos elevam os riscos.
A Fiemg considerou necessária, mas insuficiente, a redução da Selic para 13,75% ao ano. Para a entidade, os juros ainda encarecem o crédito, adiam investimentos e limitam a expansão da indústria, com efeitos sobre produção, emprego e competitividade do país.



