São Paulo, Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,11 · Euro R$ 5,86 · Ibovespa 186.596 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Economia

É falso documento que atribui à PF conclusão de que mensagens de Nikolas não indicam crime

Polícia Federal negou ter produzido documento compartilhado por deputado e apoiadores; análise apontou uso de inteligência artificial.

É falso documento em que PF diz não ver crime em mensagens de Nikolas e Vorcaro
Foto: Reprodução/OpenAI

Não procede a informação de que a Polícia Federal (PF) afirmou, em relatório, não ter encontrado indícios de crime nas conversas entre o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A corporação negou ter produzido o documento divulgado nas redes sociais pelo parlamentar e por seus apoiadores. Além disso, a ferramenta de verificação da OpenAI apontou que o conteúdo foi criado por modelos de inteligência artificial.

Publicações que reproduziam o documento falso somavam ao menos 500 mil visualizações no X nesta quinta-feira (3).

Documento falso tem sinais de inteligência artificial

Não é verdadeiro o arquivo atribuído à PF que afirma que as mensagens trocadas por Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro não apresentariam indícios de crime e indicariam apenas “contato de natureza pessoal e profissional entre os interlocutores”.

A Polícia Federal afirmou nesta quinta-feira (3) que o documento é falso. A instituição destacou que não criou nem a imagem nem o conteúdo da página que circula nas redes sociais.

A imagem também foi analisada pela ferramenta de verificação da OpenAI, que identificou a presença de SynthID. Trata-se de uma marca d’água digital inserida em conteúdos gerados ou editados com inteligência artificial, desenvolvida para continuar detectável mesmo depois de alterações no arquivo.

A OpenAI confirmou que a presença do SynthID mostra que houve algum tipo de manipulação com ferramentas de inteligência artificial.

O documento ainda contém inconsistências que podem estar relacionadas a falhas na geração de conteúdo sintético, entre elas:

  • O emblema da PF exibido na imagem não é igual ao oficial. Na versão original, as fitas têm contornos e dobras mais nítidos, além de um desenho um pouco diferente do que aparece no arquivo falso;

  • Outra divergência está no acento agudo da palavra ‘Polícia’. No emblema oficial, ele foi trocado por um triângulo;

  • A sequência numérica dos itens não obedece a uma lógica: passa de 7 diretamente para 7.3, sem incluir 7.1 e 7.2;

  • Existem erros de português, como a expressão “contato salvado”, no lugar de “contato salvo”;

  • As datas não são coerentes. O documento teria sido elaborado no mesmo dia da extração dos dados, no dia 18 — um dia depois da prisão de Daniel Vorcaro;

  • A montagem emprega elementos e nomes que não costumam fazer parte de documentos oficiais da PF, como emojis e a expressão “Relatório de Análise de Dados”.

Nikolas foi mencionado nesta quinta-feira (3) em reportagens que divulgaram mensagens e áudios nos quais o deputado pede a Vorcaro ajuda para liberar “um ativo de minério” em março de 2025. Em outro trecho, o ex-dono do Master afirma que arcou com todos os voos do deputado.

Em um vídeo publicado depois da divulgação das reportagens, Nikolas negou que tivesse proximidade com o ex-banqueiro e declarou que as mensagens não mostram nada relevante. O próprio deputado publicou o documento falso em seus stories no Instagram.

A assessoria de Nikolas afirmou que ele não sabia que o arquivo era falso e que republicou o material originalmente divulgado por outro portal.

A legislação brasileira prevê punições para a falsificação de documentos e de símbolos de órgãos públicos. O Código Penal determina pena de dois a seis anos de reclusão, além de multa, para quem falsificar, total ou parcialmente, documento público. A mesma punição se aplica à falsificação ou ao uso indevido de marcas, logotipos, siglas e outros símbolos usados para identificar órgãos da administração pública.

A definição de responsabilidade pela montagem, porém, depende da análise das circunstâncias de sua produção e divulgação, além da identificação de quem efetivamente criou a imagem do documento falso.

Colaboraram Luiza Vezzá e Giovanna Massaro

O caminho da apuração

Primeiro, a imagem foi submetida à ferramenta de verificação da OpenAI, que confirmou que o arquivo havia sido manipulado com inteligência artificial. Depois, foi feita uma análise das inconsistências presentes na imagem do documento.

Na sequência, a Polícia Federal foi procurada e confirmou que não havia produzido a imagem.

A assessoria de Nikolas Ferreira também foi contatada.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.