Documentos da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR), cujo sigilo foi retirado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), indicam que o senador Flávio Bolsonaro negociou diretamente com Daniel Vorcaro investimentos para o filme “Dark Horse”, sobre seu pai, Jair Bolsonaro. O ex-presidente está preso por liderar a tentativa de golpe de 2023.
As informações também apontam que Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, dava orientações sobre a administração do dinheiro obtido para a produção. A gestão dos recursos no país seria feita por meio do fundo Havengate, ligado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo.
A investigação afirma que Flávio trocou mensagens com Vorcaro e pessoas próximas ao ex-banqueiro, teve encontros presenciais com ele e fez cobranças para que fossem realizados aportes no filme. Um relatório da PF descreve o senador como interlocutor direto nas tratativas sobre o financiamento, incluindo pagamentos, reuniões e o acompanhamento das gravações.
Valores sob investigação
A PF investiga a arrecadação para o longa e avalia se parte do dinheiro foi usada para custear despesas de Eduardo nos Estados Unidos. Documentos citados na investigação indicam que Flávio negociou o repasse de pelo menos US$ 24 milhões, equivalentes hoje a aproximadamente R$ 122,7 milhões. Desse total, no mínimo US$ 12,3 milhões, ou cerca de R$ 62,9 milhões, teriam sido pagos.
A conclusão apresentada no material é que há elementos para investigar a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores. A PGR também pediu um levantamento de propostas legislativas de Flávio e do deputado Mário Frias (PL-SP) que possam ter favorecido Vorcaro ou o Banco Master.
Na noite de quinta-feira (10), Edson Fachin, presidente do STF, determinou a divulgação dos documentos relacionados ao Master. O relator do caso, ministro André Mendonça, atendeu à decisão. O fim do sigilo também havia sido defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Após a divulgação de parte do material, Flávio pediu transparência sobre as informações. “Para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total sobre esse assunto”, afirmou o senador em entrevista.
Na mesma quinta-feira, a PF realizou uma operação autorizada pelo ministro Flávio Dino para apurar possível desvio de R$ 750 mil da produção e uso de verba pública. Mário Frias está entre os alvos. Segundo relatório, ele destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama, que também é dona da Go Up Entertainment, produtora do filme.


