O plano de negócios de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, previa até US$ 100 milhões em bilheteria. O valor supera em mais de três vezes o resultado de “Minha Mãe é uma Peça 3”, que alcançou aproximadamente R$ 120 milhões em 2019 e é considerado o maior resultado do cinema brasileiro.
A informação está em um relatório da Polícia Federal no inquérito sobre o caso do Banco Master, tornado público nesta sexta-feira (11). Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e candidato à Presidência nas eleições de 2026, é formalmente investigado na apuração sobre a produção do filme.
Projeções e recursos
O documento afirma que o plano, localizado em conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, apresentava três cenários para a bilheteria: US$ 45 milhões, descrito como pessimista; US$ 70 milhões, considerado conservador; e US$ 100 milhões, classificado como otimista.
Pela cotação mais recente mencionada no relatório, o primeiro valor equivaleria a mais de R$ 381 milhões, enquanto o cenário otimista corresponderia a R$ 509 milhões. O desempenho de “Minha Mãe é uma Peça 3” equivalia, na época, a cerca de US$ 30 milhões.
A projeção foi enviada a Vorcaro pelo publicitário Thiago Miranda, que, segundo as investigações, atuou como interlocutor na montagem do filme. Flávio negociou diretamente com Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões para a produção. Desse total, no mínimo US$ 12,3 milhões foram efetivamente pagos.
A PF afirmou haver discrepância entre as estimativas de bilheteria, o orçamento previsto e os parâmetros do mercado cinematográfico brasileiro. O relatório diz que a diferença, embora não caracterize por si só um crime, exige aprofundamento para verificar a destinação dos recursos e a compatibilidade econômica da operação.
O documento também registra que a participação de profissionais estrangeiros não justificaria o orçamento elevado. A PF cita US$ 24 milhões previstos em contrato e US$ 12,3 milhões já enviados como valores destoantes dos referenciais do mercado audiovisual nacional.
Flávio também é investigado em relação à destinação dos recursos. As apurações levantam a suspeita de que parte do dinheiro arrecadado para o filme tenha custeado despesas de Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos. A produtora Europa Filmes, responsável pela distribuição de “Dark Horse” no Brasil, não foi localizada para comentar.


