SÃO PAULO — O ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira foi preso nesta quinta-feira (17) em uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público que investiga a participação de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte público.
A operação Vectura Corrupta cumpre mandados de prisão temporária contra 16 suspeitos. A investigação apura se 12 empresas de ônibus que prestam serviço em municípios paulistas passaram a ser administradas por pessoas ligadas à facção depois de vencerem licitações. Também há suspeitas de corrupção de funcionários públicos.
Segundo decisão do desembargador Sérgio Ribas, Oliveira mantinha encontros periódicos com José Daniel Satilite, apontado como um dos laranjas do grupo. O documento afirma que as reuniões tratavam de interesses do PCC relacionados a empresas de transporte público.
Oliveira ocupou a presidência da SPTrans em duas ocasiões. Foi indicado ao cargo em 2020 pelo então prefeito Bruno Covas. Depois que Ricardo Nunes assumiu a Prefeitura de São Paulo, com a morte de Covas, Oliveira deixou a empresa e passou a comandar a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito. Em 2022, retornou à presidência da SPTrans, onde permaneceu até fevereiro de 2025.
A defesa declarou que ainda não teve acesso à decisão judicial nem aos elementos que fundamentaram a prisão. O escritório Fernando José da Costa Advogados afirmou que Oliveira é primário, sem antecedentes, e que adotará as medidas jurídicas cabíveis após analisar os autos.
Milton Leite é procurado
O ex-vereador Milton Leite também é alvo da operação. A Justiça determinou sua prisão temporária, mas ele não foi localizado nos endereços informados e é considerado foragido.
Leite afirmou que está fora de São Paulo e negou as acusações, inclusive a de que seria proprietário da empresa de ônibus Transwolf. “Vou me entregar em 24 horas. Estou me organizando com meus advogados”, disse.
Ele também negou ter ligação com o PCC e afirmou que sua relação com o setor de transportes foi institucional, a pedido de Bruno Covas, incluindo a negociação de uma greve em 2019.



