RIO DE JANEIRO — Produtores rurais do Rio Grande do Sul relatam dificuldades para encontrar diesel e alertam que a situação pode afetar o plantio das safras de arroz e soja. A Farsul encaminhou ofícios à Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) e ao Ministério de Minas e Energia (MME) para pedir providências.
Fernando Rechsteiner, produtor de Pelotas (RS) e diretor da Farsul, afirmou que não conseguiu comprar o combustível de que precisava. Segundo ele, o fornecedor informou que não tinha o diesel S-500, mais poluente e barato, e que o S-10 custava R$ 6,90 por litro.
Os produtores iniciam o plantio do arroz e preparam o solo para a soja, cuja semeadura ocorre em outubro. A preocupação é agravada pela previsão de que o El Niño amplie as chuvas no estado e reduza o período disponível para o plantio.
Estoques e importações
O presidente da Farsul, Domingos Antônio Velho Lopes, disse ter recebido a promessa de reforço no fornecimento ao Rio Grande do Sul. Ele afirmou que produtores de diferentes regiões e culturas passaram a relatar alta nos preços e, nos últimos dias, recusas de pedidos por fornecedores.
A ANP confirmou o contato da entidade, mas disse que informações obtidas com a Petrobras e distribuidores indicam que as entregas contratadas continuam normalmente. A agência afirmou que não há desabastecimento em nenhuma região do país.
Segundo executivos do setor, o problema ainda é pontual e atinge principalmente compradores do mercado de curto prazo, sem contratos com grandes distribuidoras ou com a Petrobras. Esses clientes costumam adquirir diesel de transportadores e revendedores retalhistas, conhecidos como TRR.
Na abertura do mercado desta terça-feira (15), o diesel vendido nas refinarias da Petrobras estava R$ 3,49 por litro abaixo da paridade de importação calculada pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). O preço estava abaixo da metade desse parâmetro.
A Petrobras não altera o preço do diesel desde o início de junho. A empresa informou que suas entregas seguem os compromissos comerciais e que, para setembro e outubro, estão previstas importações compatíveis com a demanda e com a sazonalidade do período.
O setor considera que as compras para setembro atendem ao consumo, mas demonstra preocupação com outubro. De acordo com a Abicom, os volumes já contratados para esse mês correspondem a 10% da necessidade de importações do país. O mercado aguarda ainda a regulamentação da subvenção de R$ 1 por litro anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).



