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Economia

Vorcaro acusa Kassab de articular propina em doações a Bolsonaro e Tarcísio

Ex-banqueiro diz que contribuições de campanha somaram R$ 5 milhões; propostas de delação foram rejeitadas por PF e PGR.

Em delação rejeitada, Vorcaro diz que doação a Bolsonaro e Tarcísio era propina articulada por Kassab

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em propostas de delação premiada rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que doações oficiais às campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022 teriam sido pagamentos de propina articulados com Gilberto Kassab, presidente do PSD.

Segundo o relato, R$ 2 milhões foram doados à campanha de Bolsonaro por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Tarcísio recebeu R$ 3 milhões. As contribuições somaram R$ 5 milhões e, de acordo com o ex-banqueiro, tinham como objetivo garantir a continuidade do Credcesta, cartão de crédito consignado utilizado pela rede de empresas ligada ao Master para manobras financeiras.

As informações aparecem em três propostas de colaboração feitas por Vorcaro. A PF e a PGR recusaram os documentos por não identificarem fatos inéditos nos relatos. As afirmações ainda precisam ser investigadas, assim como os materiais apresentados pelo ex-banqueiro.

Relato sobre o Credcesta

Vorcaro disse que a operação havia começado no governo de João Doria, então filiado ao PSDB, por meio de uma empresa ligada a Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro. A suposta propina teria sido negociada para preservar o negócio com a chegada de Tarcísio ao governo de São Paulo, em janeiro de 2023.

O acordo atribuído a Kassab preveria o pagamento de 5% do resultado líquido das operações com o Credcesta, além de contribuições para campanhas de aliados. De acordo com Vorcaro, parte dos recursos foi apresentada como doação oficial porque partidos parceiros não aceitariam receber o dinheiro diretamente em espécie.

O ex-banqueiro também afirmou que outros R$ 10 milhões teriam sido entregues em caixa dois, em dinheiro, ao PSD de Kassab. As transferências informais, segundo o relato, foram intermediadas por Thiago Botelho.

Kassab classificou a versão como “um relato absolutamente fantasioso” e afirmou que não tem relação com Vorcaro, não tratou do Credcesta com Augusto Lima ou Thiago Botelho e nunca recebeu valores em espécie. Bolsonaro não respondeu até a publicação do texto.

Tarcísio declarou que nunca teve contato ou relação com Vorcaro e que desconhece o fato mencionado. O governador também afirmou que sua campanha foi conduzida dentro da lei e que o credenciamento da empresa ligada ao Master para operar com o Credcesta ocorreu na gestão anterior.

Vorcaro está preso desde março. Em junho, foi transferido para a unidade conhecida como Papudinha, no Distrito Federal, depois que PF e Ministério Público rejeitaram sua segunda proposta de delação. Em agosto, o advogado Daniel Bialski passou a integrar a equipe de defesa e disse que o ex-banqueiro queria colaborar novamente.

A delação premiada é um meio de obtenção de prova e, pela lei, não pode fundamentar sozinha uma condenação sem confirmação por outras informações.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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