Aliados de Lula e de Flávio Bolsonaro avaliam que a pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (11) ainda não captou todos os efeitos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e das novas informações sobre o caso Master.
O levantamento, realizado entre terça-feira (8) e quinta-feira, mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35% de Flávio. Na semana anterior, os percentuais eram de 38% e 33%, respectivamente. Em uma simulação de segundo turno, Lula aparece com 46% e Flávio com 44%, resultado considerado empate técnico.
Estratégias das campanhas
A campanha de Flávio passou a demonstrar confiança em uma vitória, inclusive no primeiro turno, depois do embate entre Alexandre de Moraes e Flávio Dino com André Mendonça no STF. Aliados do senador esperam que o desgaste do Judiciário aumente nos próximos dias e prejudique Lula. Também apostam em um movimento de voto útil, com a migração de eleitores de candidatos de centro-direita.
Os bolsonaristas minimizam a troca de mensagens entre Flávio e Daniel Vorcaro e o fato de o senador ser investigado no STF por causa do repasse do banqueiro ao filme “Dark Horse”. Flávio afirmou, durante agenda em Manaus nesta sexta-feira, que o tema é requentado e funciona como cortina de fumaça.
No campo petista, auxiliares de Lula esperam que novas provas sobre a relação entre Flávio e Vorcaro enfraqueçam o senador. A retirada do sigilo de parte das investigações foi determinada por André Mendonça entre a noite de quinta-feira (10) e esta sexta-feira (11). Petistas também pretendem explorar o fato de Flávio ter se tornado alvo de inquérito por decisão de Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro.
Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT, afirmou que a divulgação pode afetar as intenções de voto porque expõe a diferença entre os fatos e os discursos eleitorais. Outros petistas, porém, alertaram que um inquérito sem provas contra Flávio poderia favorecer a candidatura do senador.
Caso “Dark Horse”
Documentos cujo sigilo foi retirado pelo STF nesta sexta-feira indicam que Flávio era interlocutor direto de Vorcaro na captação de recursos para o filme, enquanto Eduardo Bolsonaro atuava como gestor. A campanha do senador se recusa a apresentar o contrato com o Master, a planilha de gastos e os dados dos demais investidores, limitando a prestação de contas a uma perícia privada da produtora.
O ministro Guilherme Boulos cobrou explicações sobre os gastos com o filme. José Guimarães questionou o destino do dinheiro que teria sido desviado e escreveu nas redes sociais: “É preciso saber o que aconteceu nos bastidores, para onde foi o dinheiro e se houve qualquer contrapartida ou desvio”.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, disse que novos fatos podem ter peso político, embora considere pouco provável que superem o que já é conhecido. Para ele, o afastamento de Andrei da Polícia Federal teria pouco impacto eleitoral.
O deputado federal Evair de Melo afirmou que Flávio sairá fortalecido com a divulgação dos documentos relacionados ao Master. “Transparência é nossa bandeira”, disse.



