SÃO PAULO — A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que terminou sem decisão sobre a investigação do ministro Alexandre de Moraes foi usada por Ronaldo Caiado para criticar a Corte e seus adversários na disputa presidencial. O candidato do PSD afirmou que uma eventual eleição de Lula ou Flávio Bolsonaro representaria risco para a democracia.
A sessão ocorreu nessa terça-feira (15), depois de o STF se reunir para analisar se Moraes deveria ser investigado por suposto envolvimento com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, que está preso. Os ministros não chegaram ao mérito do caso: discutiram como a questão deveria ser examinada, até que um pedido de vista interrompeu a reunião.
O encontro foi marcado por divergências entre os ministros, que trocaram críticas e ofensas no plenário, em notas e nas redes sociais nos dias seguintes. Caiado afirmou: “A Corte responsável pela segurança jurídica do país está estraçalhada, não se junta uma ala com a outra.”
Críticas a Lula e Flávio
Durante agenda de campanha na região central da capital paulista, Caiado disse que Vorcaro teria beneficiado Lula e Flávio. Segundo o candidato, o presidente estaria associado a Moraes, enquanto Flávio estaria relacionado a outro ministro. “Comprou os dois lados”, afirmou.
Caiado também classificou como preocupante a situação política e disse que a sociedade deveria transformar a indignação em voto, esperança e coragem. A declaração ocorreu ao responder a jornalistas sobre o caso Master, diante de 17 dias de uma eleição.
Questionado sobre pesquisas que mostram Lula e Flávio à frente, o candidato mencionou que registrou 4% de intenções de voto na pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (14). Disse que pretende disputar até o dia 4 uma vaga no segundo turno, sob o argumento de que seus adversários não teriam governabilidade.
Sobre Flávio Bolsonaro, Caiado citou investigações e episódios relacionados a rachadinha, apartamento de Brasília, Dark Horse, loja da Kopenhagen e milícia. Em 2020, o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou Flávio por enriquecimento ilícito. O caso, relacionado a um suposto esquema de rachadinha, foi arquivado em 2021.
Rachadinha é a prática de parlamentares confiscarem parte dos salários de assessores para desviar dinheiro público em benefício próprio, conforme a explicação apresentada no caso.



