SÃO PAULO — O deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) negou ter cometido irregularidades após ser alvo de buscas da Polícia Federal. A operação investiga suspeitas de tráfico de influência junto a tribunais e foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em nota assinada por sua defesa, divulgada nesta segunda-feira (14), Cezinha afirmou que as medidas deveriam ter sido realizadas com distância de circunstâncias políticas ou eleitorais, conforme entendimentos do STF. O deputado também disse que está à disposição das autoridades e que prestará os esclarecimentos necessários.
A defesa declarou que, com acesso aos elementos da investigação e à íntegra do processo, além da garantia do contraditório e do amplo direito de defesa, os fatos serão esclarecidos no devido processo legal. A nota sustenta que não foi cometida nenhuma irregularidade.
A apuração da Polícia Federal trata de uma possível estrutura voltada à comercialização de influência junto a ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De acordo com a polícia, são investigadas possíveis práticas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Trechos do pedido da PF afirmam que Cezinha teria despachado com ministros em atuação conjunta com Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Ela é servidora da Câmara dos Deputados e foi assessora de Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Casa.
Cezinha é próximo do ministro André Mendonça e articulou a indicação dele ao STF, além de um encontro reservado entre o magistrado e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os autos mencionam conversas sobre ações relatadas por Mendonça e por Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes.
O pedido da PF ressalva que nenhum dos três ministros é investigado e que não há suspeitas de irregularidades cometidas por eles. Os mandados foram cumpridos no Distrito Federal e em São Paulo. Valéria Linhares, esposa de Cezinha, também foi alvo da operação.



