A sessão do Supremo Tribunal Federal que discutiria a abertura de investigação sobre a relação entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro terminou marcada por acusações, pedidos de vista e sinais de divisão entre os ministros. Flávio Dino interrompeu a análise ao pedir mais tempo para examinar o caso.
Cármen Lúcia pediu desculpas à população por não ter conseguido evitar o que chamou de um ambiente formado por “torcidas e lados”. A ministra fez a manifestação antes da votação da questão de ordem que dominou a sessão.
Divisão entre ministros
Kassio Nunes Marques deixou de participar da discussão sob o argumento de que não poderia se envolver no assunto enquanto preside o Tribunal Superior Eleitoral. Luiz Fux negou irregularidades envolvendo seu filho.
A ausência de Nunes Marques contribuiu para o empate que se desenhou na análise do pedido de Gilmar Mendes. O ministro queria que o caso relacionado a Moraes fosse analisado junto com o de André Mendonça.
Gilmar provocou Mendonça durante a sessão, e a reação do ministro abriu espaço para o pedido de vista de Dino. O episódio ocorreu em um contexto no qual dois ministros presentes se acusam de práticas que podem ser criminosas.
A sessão também foi acompanhada por um aparato de segurança descrito como inédito, sem que houvesse ameaça externa mencionada. A avaliação é que o pedido de vista deve adiar a crise no tribunal, mas não necessariamente resolvê-la.
Possíveis efeitos eleitorais
A crise também foi relacionada à disputa eleitoral. A análise afirma que Lula (PT) apostou seu terceiro mandato em uma associação tácita com Moraes, visto como antagonista de Jair Bolsonaro e de seus apoiadores.
Dados do Datafolha da semana passada indicaram que 85% dos entrevistados não mudaram de voto após as revelações contra Moraes. No caso das acusações contra Mendonça, 86% disseram ter mantido sua escolha.
O possível efeito, portanto, estaria entre os eleitores mais indecisos, que poderiam influenciar o resultado. O desgaste de Moraes teria dado novo impulso à campanha de Flávio Bolsonaro (PL), e ainda não está claro se a repercussão poderá atrair parte desse eleitorado.
A permanência do tema até o segundo turno pode exigir mudanças na estratégia eleitoral do PT. A crise também pode levar a novas informações sobre a relação de Flávio com Vorcaro, incluindo o caminho do dinheiro que teria financiado o filme “Dark Horse”.



