SÃO PAULO — O debate entre candidatos ao Senado por São Paulo foi marcado por discussões sobre machismo, violência, segurança pública e impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Também houve embates entre nomes da direita e críticas à origem de Marina Silva e Simone Tebet, que não nasceram no estado.
Participaram Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), André do Prado (PP), Guilherme Derrite (PP) e Ricardo Salles (Novo). Os cinco foram convidados por liderarem as pesquisas para o cargo.
Tebet e Marina, que integram a mesma chapa, atuaram em conjunto e buscaram o eleitorado feminino com propostas relacionadas a direitos e proteção às mulheres. Salles e André, que disputam espaço na direita, trocaram ataques durante o encontro. Derrite foi poupado pelos dois e também não atacou Salles.
Machismo e violência política
Um dos principais momentos ocorreu quando Derrite perguntou a Tebet sobre a ADPF 635, ação no STF relacionada à letalidade policial nas comunidades. A candidata não identificou o processo pelo número e foi informada de que a ação havia sido proposta por seu partido. Conhecida como ADPF das Favelas, a ação foi usada por Marina para criticar o que chamou de “teste de competência de gênero”.
Tebet afirmou ser favorável à prisão de criminosos e disse que nenhum homem fala por ela. Marina chamou os adversários de “homens tóxicos” e afirmou que eles tentavam deslegitimar as candidatas. Salles classificou a reação como vitimização. Ele também lembrou que Marina e Tebet têm apenas suplentes homens.
Após o debate, Tebet disse sofrer violência política diariamente e afirmou que São Paulo é terra de todos. Ela mencionou ter propriedades no estado e citou Tarcísio de Freitas para contestar as críticas à sua origem. Marina afirmou que os candidatos homens tentaram intimidar Tebet e disseram que as duas eram forasteiras.
Disputas na direita e questões do STF
Salles e André começaram a trocar acusações na primeira pergunta, sobre extração ilegal de madeira na Amazônia. André afirmou que o caso tramita no STF e envolve o ministro Alexandre de Moraes. Salles respondeu que funcionários do Ibama ligados ao PT montaram uma farsa e acusou a Polícia Federal de proteger Lulinha.
André também foi questionado sobre sua relação com o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso na semana anterior em uma operação que investiga a participação do PCC no setor de transportes da capital paulista. Ele negou ter relação pessoal com Leite e disse que o vínculo era político e partidário. Salles o acusou de ligação com o centrão.
A possibilidade de impeachment de ministros do STF recebeu apoio de Marina e Salles. Marina defendeu a cassação quando houver acusações comprovadas e afirmou que a Constituição prevê o impeachment de ministros. Salles apoiou a abertura de processo no caso de Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, desde que sejam respeitados o devido processo legal e a ampla defesa.
Marina também defendeu uma reforma do Judiciário, com o fim de privilégios e penduricalhos, e mecanismos de autocorreção do STF. Salles criticou os processos relacionados ao 8 de Janeiro de 2023 e disse que seria incoerente exigir respeito às normas para magistrados sem defender o mesmo princípio em outros casos.
Meio ambiente e alianças eleitorais
Os dois ex-ministros do Meio Ambiente também discutiram a política ambiental. Marina acusou Salles de retirar competências do ministério para facilitar a aprovação de interesses. Ao ser questionada sobre o marco legal do saneamento, afirmou que ele é importante desde que não atenda a interesses ocultos. Salles respondeu que o desmatamento aumentou durante a gestão mais recente de Marina, entre 2023 e 2026.
Marina e Tebet foram acusadas de esconder o apoio a Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. As duas negaram a acusação.
Ao ser perguntado sobre seu voto para a segunda cadeira ao Senado, Derrite declarou que escolheria Salles, mas que votaria em André do Prado por lealdade ao grupo político. André afirmou que Salles prejudica a direita e disse que o voto no candidato do Novo ajudaria Tebet e Marina.
Na pesquisa Datafolha mais recente, Marina e Tebet registraram 13% das intenções de voto cada uma. André apareceu com 11%, Derrite com 10% e Salles com 5%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e os quatro primeiros estão tecnicamente empatados.

