SÃO PAULO — O apoio ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) aumenta a chance de voto para candidatos ao Senado para 34% dos eleitores, enquanto 31% afirmam que a medida reduz essa possibilidade. Para 30%, a posição do candidato não altera a escolha, e 5% não souberam responder, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (18).
O levantamento ouviu 2.001 pessoas com 16 anos ou mais em 125 municípios, entre terça (15) e quinta-feira (17). A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-04029/2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Diferenças entre eleitores
Entre os eleitores que declaram voto no presidente Lula (PT), 23% dizem ter mais chance de escolher um candidato ao Senado que defenda o impeachment de ministros do STF. Para 36%, essa posição diminui a possibilidade de voto. Outros 36% afirmam não ser impactados.
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), o resultado é diferente: 49% dizem que o apoio ao impeachment aumenta a chance de voto, enquanto 25% afirmam que a reduz. A decisão não muda para 21% desse grupo.
A defesa do impeachment ganhou força após revelações sobre possíveis relações de ministros do STF com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Os indícios mencionados envolvem negócios com Dias Toffoli e sua família, relações com Alexandre de Moraes, contratos com escritórios da esposa de Moraes e do filho de Kassio Nunes Marques, além de relações com o filho de Luiz Fux.
O caso também envolveu uma sessão que discutiu um relatório da Polícia Federal no qual Moraes aparece como um dos interlocutores de Vorcaro. O banqueiro teria perguntado ao ministro se deveria deixar o país antes de ser preso. As mensagens foram tornadas públicas por André Mendonça. Moraes acusou o colega de motivação política e pediu investigação por abuso de autoridade.
Em dezembro de 2025, Gilmar Mendes mudou o rito de processamento e julgamento de pedidos de impeachment de ministros do STF. O quórum, que antes era de maioria simples, passou a exigir 54 votos, equivalentes a dois terços da Casa, para o processo avançar. Esse também é o número de vagas em disputa nas eleições de 2026.
Aliados de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, afirmam que ele deve esperar o resultado das urnas para decidir sobre o andamento de processos contra ministros do Supremo. Já são 109 pedidos. Alcolumbre é próximo de Moraes e tem resistido a pautar as medidas.
Confiança no STF e impacto eleitoral
A desconfiança no STF chegou a 48%, ante 43% na pesquisa anterior, realizada em março deste ano. No Poder Judiciário, o índice passou de 36% em março para 38% agora.
Para 47% dos eleitores, a crise no STF e o escândalo do Banco Master terão alguma influência no voto para presidente. O impacto será grande para 36% e pequeno para 11%. Outros 49% não veem efeito, enquanto 4% não souberam responder.
Em São Paulo, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) aparecem empatadas na liderança da disputa pelo Senado, com 13% cada. André do Prado (PL) tem 11%, e Guilherme Derrite (PP), 10%. Os quatro estão empatados dentro da margem de erro, conforme levantamento de 11 de setembro.
No Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT) lidera com 18%. Carlos Jordy (PL) e Carlos Portinho (PL) têm 10% cada; Marcelo Crivella (Republicanos) e Pedro Paulo (PSD), 7%; e Mônica Benício (PSOL), 6%. Todos estão tecnicamente empatados na disputa pela segunda vaga.
No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) tem 21%, Leila do Vôlei (PDT), 18%, Bia Kicis (PL), 15%, e Erika Kokay (PT), 14%.


