SÃO PAULO — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou neste domingo (13) o fim do sigilo sobre o material da Polícia Civil de São Paulo relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A documentação foi encaminhada ao STF pela Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens do Foro Central Criminal Barra Funda, em São Paulo. Pela decisão, a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo deverá entregar à Polícia Federal todo o material bruto extraído dos celulares de pessoas físicas e jurídicas investigadas.
A ordem de Dino também prevê a transferência para a custódia da Polícia Federal de computadores e outros documentos, com as cautelas legais.
Disputa sobre relatoria
A defesa de Flávio Bolsonaro pediu ao menos quatro vezes que a investigação ficasse concentrada no ministro André Mendonça, primeiro relator do caso no Supremo. Os pedidos buscavam impedir que partes do processo permanecessem sob responsabilidade de Dino.
Em uma das solicitações, os advogados afirmaram que Mendonça, indicado ao Supremo por Bolsonaro, já relatava outras duas petições relacionadas ao caso. Uma parcela da apuração, porém, está com Dino por envolver suspeitas sobre uso indevido de emendas parlamentares, tema sob sua responsabilidade.
Na quinta (10), a Polícia Federal deflagrou uma operação contra 29 pessoas ligadas à investigação sobre o envio de emendas parlamentares para a produtora do filme. A medida foi autorizada por Dino no processo que a defesa de Flávio Bolsonaro tentou transferir para Mendonça.
O filme está no centro do desgaste da candidatura do PL à Presidência da República após a divulgação de áudios em que o presidenciável pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para concluir a obra.



