Documentos cujo sigilo foi retirado pelo Supremo Tribunal Federal mostram que Flávio Bolsonaro é investigado no caso relacionado ao filme “Dark Horse” e detalham despesas de viagens de diretores do Banco Central pagas por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Na quinta-feira (10), o presidente do STF, Edson Fachin, determinou a divulgação dos documentos, preservando informações sobre diligências cujo sigilo seja necessário para não prejudicar as investigações. O ministro André Mendonça, relator do caso, cumpriu a decisão no mesmo dia e retirou o sigilo de 14 procedimentos, além do inquérito principal.
O fim da restrição também havia sido defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão ocorreu em meio a um conflito entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes, que começou após a produção de um relatório sobre pessoas próximas a Vorcaro. O documento revelou que Moraes era um dos interlocutores do ex-banqueiro. O embate se intensificou a cerca de 30 dias do primeiro turno das eleições de 2026.
Investigação sobre o filme
Flávio Bolsonaro passou a ser formalmente investigado em julho no inquérito que apura a produção de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, que está preso por liderar a tentativa de golpe de Estado. A Polícia Federal investiga a possível prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados.
A suspeita é de que parte dos recursos tenha financiado a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Documentos apontam que Flávio negociou com Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões, equivalentes hoje a aproximadamente R$ 122,7 milhões, para a produção do filme. Desse total, no mínimo US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 62,9 milhões, teriam sido pagos.
Viagens e grupo de aliados
Segundo relatórios da Polícia Federal enviados ao STF, Vorcaro custeou viagens e jantares internacionais para servidores do Banco Central acusados de atuar em favor do Banco Master. Parte de uma viagem a Paris do ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana com a esposa teria sido paga pelo ex-banqueiro.
Vorcaro também teria financiado uma viagem do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza à Disney, nos Estados Unidos. As investigações ainda apontam que ele mantinha contato com integrantes do Banco Central aos quais pagava propina.
Preso, Vorcaro é investigado por comandar o que as apurações consideram a maior fraude financeira do país. Ele também mantinha relações com integrantes da política e do Supremo, incluindo Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além de um grupo chamado “A Turma”, liderado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. O grupo é investigado por combinar formas de intimidar pessoas, inclusive jornalistas, e obter informações confidenciais.



