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Governo colombiano troca termo camponês por categoria ligada ao agronegócio

Mudança anunciada pelo ministro da Agricultura provocou críticas de parlamentares, entidades rurais e órgãos de defesa de direitos.

Governo colombiano troca termo camponês por categoria ligada ao agronegócio
Foto: Reuters

O governo de Abelardo de la Espriella decidiu evitar o uso da palavra “camponês” em sua gestão e substituí-la por expressões como “pequenos agricultores” e “empresários do campo”. A mudança foi anunciada na terça-feira passada (8) pelo ministro da Agricultura, Indalecio Dangond, durante uma fala diante das comissões econômicas do Congresso colombiano.

Dangond afirmou que o termo teria caráter pejorativo e que a nova nomenclatura buscaria elevar o reconhecimento de quem produz alimentos no país. Orientações para que a palavra fosse evitada já haviam sido encaminhadas à Agência Nacional de Terras.

A declaração desviou o foco das discussões sobre o orçamento agropecuário e provocou reações de representantes políticos e de instituições públicas. A deputada Mafe Carrascal Rojas, do Pacto Histórico, partido do ex-presidente Gustavo Petro, criticou a iniciativa e disse que a medida desconsidera a violência, o desapossamento e a exclusão enfrentados historicamente pelo campesinato.

Iris Marín Ortiz, defensora do Povo da Colômbia, também afirmou que o campesinato deve ser considerado sujeito de direitos e de proteção especial, com uma relação específica com a terra. Ela defendeu que os camponeses tenham os mesmos direitos das demais populações e não sejam discriminados por sua condição econômica, social, cultural ou política.

Diferença entre categorias

Diante da repercussão, o Ministério da Agricultura explicou que “camponês” e “produtor agrícola” não seriam sinônimos. Segundo a pasta, camponês designa uma condição social, econômica, territorial ou familiar ligada à agricultura. Já produtor agrícola ou empresário seria uma categoria produtiva mais ampla, que inclui pequenos agricultores e grandes empresas agrícolas.

Dados mais recentes do Dane, de 2026, indicam que a Colômbia tem quase 15 milhões de agricultores, equivalentes a 28,5% da população. Em 2023, porém, apenas 16.775 pessoas se declaravam camponesas.

O ministério justificou a mudança também pela possibilidade de o termo espanhol “campesino” assumir sentido depreciativo, dependendo do contexto. Grupos rurais, contudo, reivindicam a palavra como forma de ressignificação. A discussão apareceu nos debates que antecederam a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Camponeses, publicada em 2018.

A Constituição colombiana reconhece o camponês como sujeito de direitos e de proteção especial desde 2023. A Dignidad Agropecuaria Colombiana defendeu políticas para a agricultura familiar, de pequena escala e comunitária, além do apoio a empresas nacionais.

Para o advogado Carlos Quesada, doutor em direito pela Universidade Nacional da Colômbia, a proposta revela uma visão de desenvolvimento rural mais concentrada na iniciativa privada e no crescimento econômico. Ele também afirmou que a retirada do camponês como sujeito pode reduzir sua presença nas discussões sobre a distribuição de recursos públicos.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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